joao cunha
Banido
Eu tenho um ford taunus GT de 1976, 2.0 lts V6 de 90cv, mas partiu o bloco de Inverno com o gelo. O seu valor actual não justifica a reparação.
Ford Taunus
Uma linha de carros longeva é logicamente uma linha de sucesso. Assim começou, em 1939, a linha Taunus da Ford na Alemanha (Deutsche Ford Motor Company). A empresa americana instalou-se em Berlim em 1925 e, seis anos depois, transferiu-se para a cidade de Colônia, no noroeste do país.
Em junho de 1939 o Taunus era apresentado. Era o primeiro Ford genuinamente alemão, um projeto local e não mais uma adaptação de modelos americanos. O pequeno carro de quatro lugares aproveitava o conjunto mecânico do modelo Eiffel, que se aposentava. Seu motor de quatro cilindros em linha e 1,2 litro gerava uma potência de 34 cv e a velocidade máxima era de 106 km/h.
Poucos exemplares foram fabricados, porém, pois semanas depois a Segunda Guerra Mundial tomava conta da Europa e paralisava a produção automobilística em quase todo o continente. Anos após o conflito, em 1948, a produção era retomada. A carroceria estava um tanto superada, mas o carro econômico, pequeno e simples foi muito apreciado naqueles tempos difíceis. Suas linhas eram curvas, com pára-brisa dividido, portas de abertura para trás ("suicidas") e faróis circulares. A versão de duas portas era a mais comum e suas linhas não impressionavam. Existia nas versões básica, Spézial e De Luxe. Havia também o conversível, mais simpático.
Em 1952 recebia uma carroceria totalmente nova. Tornava-se moderno e de acordo com sua época. A carroceria podia ser de duas portas, perua de três — denominada Combi Car — e conversível, esta produzida em pequena escala por empresas independentes. O sedã era um três-volumes de 4,11 metros de comprimento e pesava 830 kg. Agradou pelas linhas e o sucesso veio de imediato.
Na frente tinha faróis circulares. No capô havia um vinco central, que trazia na extremidade frontal um escudo com o desenho do globo terrestre — como que divulgando a ambição da Ford, que desejava exportar o automóvel para vários países do mundo. Abaixo, uma grade retangular dividida. As amplas janelas permitiam uma visibilidade muito boa. Por dentro, com conforto, viajavam quatro pessoas. O volante de cor branca combinava com o acabamento em metal do painel, que tinha o essencial, e com o revestimento em duas cores. A alavanca de câmbio ficava na coluna de direção.
O motor do Taunus 12 M (de meisterstück, que quer dizer obra-prima) era um quatro-cilindros em linha longitudinal com cilindrada de 1.172 cm³, válvulas laterais e um carburador de corpo simples, que desenvolvia 34 cv a 4.250 rpm. Com três marchas e tração traseira, a velocidade máxima era de 110 km/h, suficiente para a época. A suspensão dianteira era independente pelo conceito McPherson, a traseira de eixo rígido, e os freios usavam tambores. Nada de requintes, mas um conjunto tradicional e adequado a sua proposta.
Em 1955 vinha uma grade modificada, que se parecia bastante com a dos Buicks da época por causa dos "dentes". Havia também uma versão "banguela", mais discreta... As luzes de direção estavam maiores e acompanhavam o contorno dos pára-lamas. A carroceria podia receber pintura em dois tons, conhecida aqui como saia-e-blusa, e os pneus, faixas brancas — tudo muito em moda na época. Também fazia sucesso um item muito apreciado para os dias de sol, o teto solar opcional. No mesmo ano era lançada a versão 15 M. O motor mais potente tinha 1.498 cm³ e 55 cv a 4.250 rpm, com o que a máxima passava a 125 km/h.
Jeito americano A carroceria era completamente remodelada em 1957, assumindo uma clara inspiração americana. Parecia um Ford Crown Victoria menor. O modelo anterior continuava como opção mais barata. O novo estava disponível nas versões de duas e quatro portas e na perua Kombi (agora com K) de três portas, que era um tanto esquisita. Os sedãs tinham um aspecto mais agradável e equilibrado. Neles os "rabos de peixe", muito usados na época, eram discretos. O Taunus estava também mais confortável e espaçoso, embora simples como o anterior.
Em 1959, o modelo 12M com carroceria antiga era o carro mais popular da Alemanha. Sua única novidade estava na grade quadriculada. Outra alteração, para o modelo novo, era a versão mais potente disponível para todas as carrocerias, a 17 M. O motor de 1.698 cm³ e 60 cv a 4.250 rpm o levava a 125 km/h e, em relação ao anterior, o carro crescia: estava com 4,25 metros de comprimento. Por causa da carroceria pouco atraente e vendas baixas, porém, durou pouco. Foram produzidos 235 mil entre 1957 e 1960.
Uma nova carroceria estreava no final de 1960, mais moderna, com linhas retas e sem nenhuma inspiração americana. Continuava com as mesmas configurações e a perua Kombi ainda com duas portas. Mantinha o comprimento do modelo anterior, mas na frente trazia grade em forma de trapézio invertido e dois faróis circulares. Grande novidade era o motor de quatro cilindros em "V" a 60°, configuração que se tornaria comum nos Fords europeus por um bom tempo. A cilindrada era de 1.183 cm³ e a potência de 50 cv a 5.000 rpm, com um carburador de corpo simples.
Possuía quatro marchas, todas sincronizadas, e era a primeira vez em que a alavanca ficava sobre o assoalho. Chegava a 130 km/h e, com um peso contido de 865 kg na versão de quatro portas, acelerava com agilidade. Também inédita em um Ford médio era a tração dianteira. Estava nos planos da Ford enviar esse modelo para fazer concorrência ao Fusca nos Estados Unidos, mas os planos foram arquivados. O antigo motor de 1,5 litro continuava em produção na versão 12 M TS. Pouco mais veloz, chegava a 135 km/h.
Também com nova carroceria estava a linha 17 M. Conhecida como série P3, suas linhas modernas eram arredondadas e denotavam alguma preocupação com a aerodinâmica. O pára-brisa bem inclinado, a frente e a traseira muito parecidas tinham parentesco com os produtos da matriz americana. O que chamava mais atenção eram os faróis com formato oval, que logo lhe renderam o apelido de Ovo de Colônia. Os pára-choques cromados vinham incorporados à carroceria e até a perua estava harmoniosa.
Em 1963 nascia uma interessante versão conversível do cupê. Infelizmente, também nestas versões estava o motor antigo de 1.698 cm³ e 60 cv a 4.250 rpm, com o qual chegava a 135 km/h. Até o ano seguinte foram produzidos 665 mil exemplares deste modelo, que fez sucesso em toda a Europa. Era robusto, prático e tinha uma ótima gama de versões.
Ganhando porte Baseada no modelo anterior, em 1965 era lançada uma nova linha. Frente e traseira não estavam tanto inclinadas, os faróis ovais haviam cedido espaço a um grupo ótico mais ortodoxo e as linhas estavam bem agradáveis. Os sedãs continuavam com duas e quatro portas; grande e bem-vinda novidade era a perua com cinco portas, mas a de três continuava em produção. O comprimento era de 4,63 metros e o peso de 1.040 kg: o Taunus havia crescido e engordado.
Quanto à motorização, pouca coisa mudava: boa notícia era a opção do motor de seis cilindros em "V" na versão 20 M TS, com 1.998 cm³ e potência de 100 cv a 5.300 rpm. Usava um carburador de corpo duplo e podia receber tanto a caixa manual, de três ou quatro marchas, quanto uma automática. A velocidade máxima era de 165 km/h e de 0 a 100 km/h levava 14 segundos, desempenho muito satisfatório.
Por dentro, o volante de dois raios tinha aro metálico de acionamento de buzina. O painel trazia cinco mostradores, contava também com rádio e os bancos dianteiros separados e reclináveis traziam mais conforto. Cinco ocupantes viajavam bem. A suspensão evoluía e os freios, assistidos, eram a disco na frente. Seus concorrentes eram Peugeot 404, Renault 16, Simca 1500, Ford Corsair inglês, Lancia Fulvia e o arqui-inimigo também alemão Opel Rekord, que pouco depois daria origem ao Opala brasilleiro.
Dando continuidade à renovação, nascia a série P6 em 1967. Os modelos de base 12 M e 15 M estavam com carroceria nova, mais moderna e agradável. Tinham a mesma grade, porém o caçula 12 M usava faróis circulares o 15 M retangulares. Estavam menores: passavam a medir 4,32 metros e pesar 865 kg. A versão três-portas da perua ficava bem mais simpática. O motor era o firme e forte V4 (da mesma linha usada pelo sueco Saab 96), que no caso do 12 M tinha 1.304 cm³ e 63 cv, com câmbio de quatro marchas. O 15 M vinha com o de 1.498 cm³, cuja potência variava de 75 a 83 cv, esta na versão TS. O mais forte permitia 145 km/h e 0-100 km/h em 15 segundos. Também contavam com freios a disco dianteiros.
Os modelos 17 M e 20 M, por sua vez, tinham a carroceria remodelada e continuavam grandes: 4,58 metros e 985 kg. Traziam faróis retangulares e grade com frisos horizontais. A versão cupê tinha um leve estilo fastback e era atraente. O cupê e o sedã de quatro portas, elegantes, podiam vir com teto de vinil como opcional. Esses Taunus, de tração traseira, não traziam novidades na parte mecânica.
Estilo unificado O Ford alemão entrava na década de 1970, em outubro, de roupa nova — e bonita. Tinha o apelido de Taunus Knudsen, por causa do dirigente da Ford Alemanha, que na época era Semon E. Knudsen. E não tinha mais o pouco modesto sufixo "M", de meisterstück. Todos os modelos tinham só um tipo de carroceria; os de duas e quatro portas estavam muito bonitos e mais modernos que a concorrência. Havia ainda um cupê fastback, bem atraente, e a perua de cinco portas, agradável aos olhos. Todos perdiam os quebra-ventos. A versão mais despojada media 4,27 metros e pesava 950 kg.
A exemplo da geração anterior, o mais simples tinha faróis circulares. Também havia as versões L e LX, com faróis retangulares. Com 1.294 cm³, o motor desenvolvia 55 cv a 5.500 rpm e agora trazia o comando de válvulas no cabeçote. A velocidade máxima era de 140 km/h. O modelo seguinte tinha 1.593 cm³ e 72 cv a 5.500 rpm, para atingir 150 km/h. Podia-se optar pelas versões GT e GLX, com 88 cv e final de 165 km/h.
A GT tinha pneus radiais 175 SR 13, grade preta, faróis com lâmpadas halógenas, faróis circulares de longo alcance, rodas com desenho esportivo e teto de vinil de série. A posição de dirigir era ótima e o volante de quatro raios tinha ótima pega. Os bancos com encosto alto, reclináveis, ofereciam maior conforto. A versão mais potente era a 2300, com motor V6 de 2.293 cm³ e potência de 110 cv a 5.000 rpm. Alcançava 179 km/h, que caíam para 172 com o câmbio automático opcional.
A imprensa germânica, porém, não admirava muito o Taunus: considerava-o um automóvel de baixa qualidade. Mas o carro vendia bem em toda a Europa e era apreciado pela robustez, beleza das linhas, espaço interno, várias opções de motor e carrocerias. Os clientes tinham por volta de 40 opções na hora da compra. Na outra margem do Canal da Mancha, na Inglaterra, chamava-se Cortina, substituindo o modelo anterior. Só que lá as linhas dos pára-lamas traseiros eram curvas.
Em 1973 chegava um novo concorrente de mesma origem: o Volkswagen Passat. Também faziam frente o Opel As**** (que na geração seguinte seria o equivalente de nosso Monza) e o Audi 80 na Alemanha. Na França os concorrentes eram Peugeot 504, Citroën DS na versão mais simples e Renault 16. Na Itália, o Fiat 132 e o Alfa Romeo Giulia. Até dezembro de 1975 foram produzidas por volta de 1.100.000 unidades do Taunus. Sabiamente a Ford não oferecia motores muito potentes no modelo fastback, pois poderia "canibalizar" o cupê Capri da mesma fábrica. Tampouco no sedã, pois o mesmo efeito se daria nos modelos mais luxuosos da marca, o Consul e o Granada.
Em janeiro de 1976 sofria modificações na carroceria. Estava com linhas mais retas, faróis retangulares, novo desenho do porta-malas. Seu estilo inspiraria o do Del Rey brasileiro em 1981. Alemães e ingleses eram idênticos e isso era bom para a Ford Europa, pois não confundia mais os clientes. Quanto aos motores, não havia grandes alterações: estavam mais econômicos, devido à crise do petróleo deflagrada em 1973, e um pouco mais potentes. Além dos antigos, juntavam-se novos concorrentes: Simca 1308, Renault 20, Chrysler 180, Leyland Princess.
Quanto ao acabamento havia a nova versão Ghia, topo de linha, mas para todos haviam opcionais interessantes como rádio, teto de vinil, teto solar, pára-brisa laminado, vidro traseiro com desembaçador, cinto de três pontos e lavador de faróis. Nas versões mais potentes contava com pneus 195/60-14 e bonitas rodas de alumínio. No Salão de Frankfurt de 1979 recebia um rejuvenescimento: pára-choques pretos, frisos laterais e grade na cor da carroceria.
Foram 34 anos de sucesso, de 1948 a 1982. O Sierra pegava seu cajado para continuar o sucesso das linhas de automóveis médios da marca.
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