BMW Série 6 ou E24
Lindo este modelo[br

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Os cupês são uma parte importante da história da BMW desde a década de 1930. A Bayerische Motoren Werke (Fábrica de Motores Bávara) lançou em 1936 o primeiro deles, o 327, já com motor na configuração de seis cilindros em linha que nunca seria abandonada. No pós-guerra a dinastia prosseguia com o 503, de 1955, cujo V8 de 3,2 litros era o mesmo do lendário roadster 507. Sete anos depois era a vez do 3200 CS, desenhado por Bertone e dotado do mesmo motor.
Os 2000 C e CS, de 1965, decepcionavam no desempenho dos motores de quatro cilindros e 2,0 litros. Foi com sua evolução — o 2800 CS com um seis-em-linha de 2,8 litros, em 1968 — que a BMW recuperou seu prestígio nesse segmento, que rende ao fabricante até mais em imagem que em lucro por unidade vendida. Desse modelo vieram outros cada vez mais potentes: os 3.0 CS e CSi em 1971 e o 3.0 CSL no ano seguinte, cuja versão de competição tornou-se conhecida como "Batmóvel" pelos anexos aerodinâmicos nada subtis.
Apesar de bem-sucedida nas pistas, a série CS estava envelhecida em meados dos anos 70. Nos Estados Unidos, o mais importante mercado de exportação da marca, novas leis de segurança vinham dificultando a venda dessa linha. Eram necessários enormes e pesados pára-choques para atender às normas de impacto, com prejuízo ao estilo. As estreitas colunas e a ausência do pilar central já não estavam coerentes com as necessidades de resistência em caso de capotagem. Tudo isso foi considerado no projeto de seu sucessor.
O próprio departamento de estilo da empresa, chefiado pelo francês Paul Bracq, concorreu com o estúdio do italiano Giorgio Giugiaro para que fosse feita a decisão pela diretoria. Bracq aplicou ao máximo as propostas de desenho do conceito Turbo, um superesportivo de motor central apresentado em 1972, cujo estilo inspiraria de forma decisiva o BMW M1 de 1979. A proposta do francês foi a vencedora. Levado o projeto adiante, a empresa revelava em março de 1976 a Série 6 ou E24, esta sua designação interna na empresa. À apresentação à imprensa em Marbella, na Espanha, seguiu-se o lançamento público no Salão de Genebra, Suíça.
Eram amplos cupês (comprimento de 4,75 metros, entreeixos de 2,62 m) com um estilo imponente. A frente, com os famosos quatro faróis circulares e a grade "duplo-rim" à frente de um ressalto no capô que a destacava, justificava o apelido de "tubarão" que alguns lhe atribuíram. A área envidraçada e as lanternas traseiras eram amplas e, nas janelas laterais posteriores, via-se o corte posterior em curva já característico da marca. A estrutura previa áreas de deformação à frente e atrás em caso de impactos, recurso ainda raro à época. Por mais de um ano a construção das carrocerias ficou a cargo da Karmann Coach Builders, na cidade alemã de Osnabrück, pois a BMW trabalhava no limite da capacidade produtiva com os Séries 3 e 5.
O carro não era tão rápido e esportivo quanto seu antecessor, mas oferecia bom espaço no banco traseiro — quase um quatro-lugares, embora rotulado como 2+2 —, acabamento de qualidade e alto padrão de conforto. O painel não deixava dúvidas de que o cupê fora desenhado ao redor do motorista e já contava com iluminação alaranjada, ainda hoje em uso pela marca. Novo era o sistema de verificação e controle, que apontava desgaste de pastilhas de freio, lâmpadas queimadas e baixo nível de fluidos, entre outras funções.
O Série 6 estreava em duas versões, 630 CS e 633 CSi. Ambas usavam o motor de seis cilindros em linha lançado em 1968, com montagem inclinada em 30°. A primeira, com cilindrada de 2.986 cm³ (diâmetro de 89 mm, curso de 80 mm) e carburador Solex de corpo duplo, desenvolvia potência de 185 cv e torque de 26,5 m.kgf, o bastante para uma velocidade máxima de 210 km/h. A outra, com 3.210 cm³ (89 x 86 mm) e injeção eletrônica Bosch L-Jetronic, tinha 200 cv e 29 m.kgf e chegava a 215 km/h, com a vantagem de um menor consumo médio.
Nos EUA, em que as vendas começavam em agosto, a única versão era a exclusiva 630 CSi. Embora associasse o motor de 3,0 litros à injeção, gerava módicos 176 cv, pois atendia a normas de emissões poluentes mais severas que as européias. Com menor potência associada a maior peso — 145 kg a mais que na Europa, por conta dos grandes pára-choques resistentes a impactos e dos próprios recursos antipoluentes, entre outras mudanças —, seu desempenho foi alvo de críticas.
Os cupês ofereciam opção entre câmbio manual de quatro marchas e automático de três, com diferencial autobloqueante opcional. Como não poderia deixar de ser em um BMW, a tração era traseira. As suspensões independentes, tomadas emprestadas do Série 5 da época (geração E12), seguiam o padrão da marca desde a década anterior: McPherson à frente e braço semi-arrastado atrás. E as quatro rodas, de 14 pol, tinham travöes de disco.
O Série 6 chegou ao mercado com uma vantagem expressiva em atualidade — cinco anos — diante do Mercedes-Benz SL, seu concorrente mais direto, que havia sido reformulado em 1971. Por outro lado, a marca de Stuttgart oferecia motores V8, que este BMW nunca teria, e carroceria conversível, que o "6" só ganhou por meio de empresas independentes (leia boxe). Embora cada um seguisse um estilo próprio, também podiam ser considerados seus adversários o Citroën SM, sofisticado cupê francês com motor Maserati V6, e o Porsche 928, lançado em 1977 com um V8 dianteiro.
Novas versões Em julho de 1978 surgia o 635 CSi, com um novo motor de 3.453 cm³ (93,4 x 84 mm) desenvolvido a partir de uma unidade de competição do 3.0 CSL "Batmóvel". Dotado de injeção Bosch L-Jetronic, fornecia 218 cv e 31,6 m.kgf e vinha aliado a um câmbio de cinco marchas e suspensão recalibrada, mais firme. O carro acelerava de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos e alcançava 230 km/h, marcas que o colocavam em um seleto clube de cupês grã-turismo entre as marcas de prestígio. A versão recebia defletores no pára-choque dianteiro e na tampa do porta-malas, rodas BBS mais largas (de 6,5 x 14 pol) com pneus 195/70-14 e bancos desportivos.
Obras de arte[br

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Em 1975, antes de participar da 24 Horas de Le Mans pela primeira vez, o piloto Hervé Poulain fez uma sugestão à BMW: aplicar a seu 3.0 CSL uma pintura elaborada por artista, que criasse uma ligação entre automobilismo e arte. A empresa aprovou a idéia e chamou Alexander Calder, amigo de Poulain, para o trabalho. Nascia ali a série Art Cars (carros de arte) da BMW, que hoje conta com 15 automóveis.
Depois dos CSL de Calder e de Frank Stella, do 320i do Grupo 5 de Roy Lichtenstein e do M1 do Grupo 4 de Andy Warhol, foi a vez de um Série 6 entrar para a coleção. Ernst Fuchs aplicou sua interpretação a um 635 CSi em 1982, com uma alegre combinação de cores (foto superior). Quatro anos mais tarde, um modelo igual passava pelas mãos de Robert Rauschenberg, que seguiu um estilo mais sóbrio em preto sobre uma carroceria branca.
A coleção Art Cars teve seguimento com os M3 do Grupo A criados por Michael Jagamara Nelson e Ken Done (1989), o 535i de Matazo Kayama, o 730i de Cesar Manrique (ambos em 1990), o roadster Z1 de A. R. Penck, o 525i de Esther Mahlangu (ambos em 1991), o M3 GTR de Sandro Chia (1992), o 850 CSi de David Hockney (1995) e o V12 LMR de Jenny Holzer para Le Mans (1999).
Enquanto os europeus desfrutavam o ótimo desempenho da novidade, os americanos reivindicavam algo melhor que o 630 CSi. A BMW então ofereceu-lhes o 633 CSi, com o 3,2-litros a injeção. Embora a potência fosse de 177 cv (apenas 1 cv a mais que no outro e 23 cv abaixo do similar para a Europa), o torque crescia para 27 m.kgf. No mesmo ano, no Velho Continente, aparecia a versão de entrada 628 CSi, mais simples nos equipamentos e com menor cilindrada (2.788 cm³, 86 x 80 mm), mas dotada de injeção. Era capaz de potência similar (184 cv) e de menor torque (24,4 m.kgf). Em alguns meses assumia o lugar do 630, extinguindo os carburadores no Série 6.
Em meio a pequenas mudanças, a linha 1979 trazia a adoção de traväo com sistema (ABS) opcional, um recurso raro àquele tempo, e o gerenciamento de injeção passava de analógico para digital. Dois anos depois, o pára-choque traseiro ganhava laterais mais longas e as rodas BBS tornavam-se itens de série. Como opção aos pneus 205/70-14 havia um conjunto com Michelin TRX em medida 220/55-390.
Esses pneus usavam uma nova construção, que favorecia a estabilidade mas exigia rodas específicas. Por isso o fabricante francês adotou o padrão métrico (aro de 390 milímetros, igual a 15,3 pol), de modo a impedir seu uso em rodas convencionais de outros carros. Só que os TRX não evoluíram e, anos depois, os carros assim equipados ficaram impedidos de adotar pneus de geração mais moderna, a não ser que as rodas fossem substituídas.
O Série 6 recebia por fora pequenas alterações em 1982, como faróis de neblina integrados ao defletor frontal e novos pára-lamas dianteiros, mas as maiores evoluções eram técnicas. A BMW reprojetou a carroceria para aumentar a rigidez torcional e a segurança em colisões, além de reduzir o peso do carro em 60 kg. As suspensões tornavam-se iguais às do sedã Série 5 de geração E28, lançado no ano anterior, com nova geometria para melhor comportamento. Freios ABS vinham de série no 635 CSi, mas os discos traseiros deixavam de ser ventilados.
Outra mudança estava sob o capô dessa versão: o motor passava a ser o mesmo do sedã 735i, com 3.430 cm³ (92 x 86 mm) e injeção Bosch Motronic II, mas sem alterações de potência e torque. Obtido a partir do 3,2-litros do 633, buscava maiores confiabilidade e facilidade de manutenção e menor consumo que os do anterior. No interior havia um indicador de manutenção no painel, computador de bordo e novo volante de três raios. No ano seguinte vinha um câmbio automático de quatro marchas.
O "M" da questão A divisão M — ou Motorsport — da BMW surgiu em 1972
Como o braço de competições da marca bávara, mas algum tempo depois passou a desenvolver automóveis de rua com alto desempenho. Participou do projeto do cupê esporte M1, de 1979, e do sedã esportivo M535i, lançado no mesmo. Desde então, tornou-se habitual para ela gerar versões mais potentes dos modelos "comuns" da BMW, identificadas por um charmoso logotipo com a letra "M" e faixas inclinadas em azul claro, azul escuro e vermelho. Foi o caso do cupê M635 CSi, apresentado no Salão de Frankfurt de 1983 e colocado à venda no ano seguinte.
Seu motor era basicamente o mesmo do M1, com 3.453 cm³, duplo comando, quatro válvulas por cilindro, injeção Bosch ML-Jetronic, borboletas de aceleração individuais e alta taxa de compressão (10,5:1). As poucas diferenças estavam nos cabeçotes, que no Série 6 foram adaptados à posição inclinada em 30° (no M1 a montagem era vertical), e na lubrificação convencional, sem o cárter seco daquele esportivo. Entregava 286 cv a 6.500 rpm e 34,7 m.kgf a 4.500 rpm, o bastante para que o pesado cupê (1.570 kg) acelerasse de 0 a 100 km/h em 6,4 s e chegasse a 255 km/h.
A relativa falta de potência em baixas rotações era, sem dúvida, compensada pelo surto que começava ao redor de 4.000 rpm e prosseguia até o limite de giros, a 6.800 rpm. Que o digam os privilegiados jornalistas que o conheceram numa autobahn entre Munique e Garmisch — àquele tempo, com pouco tráfego, era possível manter velocidades desse patamar por tempo razoável nessas superestradas alemãs.
Todo o conjunto do M635 CSi vinha apropriado ao novo nível de desempenho, como o câmbio manual de cinco marchas com relações mais próximas e o diferencial autobloqueante. A suspensão tinha molas e amortecedores (Bilstein) mais firmes e altura de rodagem 11 mm menor, os freios dianteiros usavam discos ventilados com diâmetro de 300 mm e as rodas podiam ser de 390 ou 415 mm de aro, com pneus 220/55 no primeiro caso e 240/45 no segundo, sempre Michelin TRX. Além delas, trazia defletor dianteiro e arcos de pára-lamas mais pronunciados. Por dentro vinha com bancos Recaro e volante esportivo, também oferecidos às outras versões, porém.
No restante da linha, o destaque para 1985 era um câmbio automático com três programas de funcionamento: econômico, esportivo (com diferentes pontos de troca de marcha) e o modo 1-2-3, para o motorista efetuar mudanças manuais seqüenciais — embora por um processo menos sofisticado que o do Tiptronic inserido cinco anos depois no Porsche 911. No mesmo ano o motor 3,5 recebia catalisador, tornando-se apto à venda em países como Japão e EUA. Nesses mercados substituía o 3,2.
Embora o ganho de potência não fosse grande (de 177 para 185 cv), o torque crescia de 27 para 29,6 m.kgf. Um novo opcional em meados do ano era a bolsa inflável para o motorista. Outras novidades chegavam em 1986: bancos com ajuste elétrico, ar-condicionado para os passageiros de trás (com um aparelho próprio, não apenas uma extensão do ar dianteiro), limpadores de farol e o acabamento Shadow Line, em que todos os detalhes antes cromados — à exceção da grade — vinham em preto.
O M6, versão do M635 CSi apenas para os EUA, seria lançado só em 1987 com menores potência (256 cv) e torque (33,7 m.kgf) por causa da taxa de compressão reduzida de 10,5:1 para 9,8:1. Enquanto isso, os europeus ganhavam um gerenciamento eletrônico mais moderno no motor do 635 CSi, que subia para 220 cv e 32 m.kgf (sem catalisador) ou 211 cv e 31,1 m.kgf (com o dispositivo). Pena que os americanos não tenham sido contemplados com essa evolução, permanecendo com a versão de 185 cv.
Em junho daquele ano a BMW unificava os pára-choques para Europa e EUA (antes os da América eram mais reforçados, como exigia a legislação local), que deixavam o comprimento com 4,81 metros, ante 4,75 m dos europeus e 4,89 m dos americanos. Ganhavam também faróis elipsoidais e a opção do acabamento interno todo em couro, que abrangia painel, forro de teto, colunas e console central, além dos bancos e portas. Esse padrão de interior, associado ao câmbio automático e a todos os opcionais disponíveis, vinha de série na versão L6, exclusiva dos EUA. O 628 CSi saía de produção.
Em 1988 estreava o controle eletrônico dos amortecedores, que alterava sua carga (firmeza) conforme as condições do piso e o modo de dirigir. O 635 CSi para os americanos ganhava suspensão traseira com nivelamento automático por um complexo sistema eletroidráulico, que compensava o peso da carga. E o motor afinal atingia uma potência próxima à da versão européia, 208 cv, graças à maior taxa de compressão possível com a nova central eletrônica. No ano seguinte essa versão de topo recebia direção com assistência eletrônica Servotronic, na Europa inclusive.
Aos 13 anos sem grandes alterações de estilo, a linha de cupês estava claramente defasada diante de novos concorrentes, como o Mercedes-Benz SL que seria lançado no Salão de Frankfurt daquele ano. O Série 6 deixava o mercado em abril de 1989 com um total de 86.216 unidades produzidas (em torno de metade para o mercado americano), tendo 1985 sido seu melhor ano. O M635 CSi respondeu por 5.855 delas.
A BMW havia se preparado: no mesmo evento lançava o cupê Série 8, que na versão de topo 850i recorria ao motor V12 de 5,0 litros e 300 cv do sedã 750i. Para muitos, porém, a empresa não conseguiu repetir nesse cupê o equilíbrio de linhas de seu antecessor, criando um carro de estilo pesado. Não é à toa que, depois do Série 8, os bávaros foram buscar de novo no número 6 a inspiração para o cupê dos novos tempos, lançado em 2004 e que ainda tem uma longa carreira pela frente.
Ficha técnica
_ 633 CSi (1977) 635 CSi (1982) M635 CSi (1984)
MOTOR
Posição e cilindros longitudinal, 6 em linha
Comando e válvulas por cilindro no cabeçote, 2 duplo no cabeçote, 4
Diâmetro e curso 89 x 86 mm 92 x 86 mm 93,4 x 84 mm
Cilindrada 3.210 cm3 3.430 cm3 3.453 cm3
Taxa de compressão 9,5:1 10:1 10,5:1
Potência máxima 200 cv a
5.500 rpm 218 cv a
5.200 rpm 286 cv a
6.500 rpm
Torque máximo 29 m.kgf a
4.250 rpm 31,6 m.kgf a
4.000 rpm 34,7 m.kgf a
4.500 rpm
Alimentação injeção eletrônica
CÂMBIO
Marchas e tração 4, traseira 5, traseira
FREIOS
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco ventilado a disco a disco ventilado
Antitravamento (ABS) não sim
SUSPENSÃO
Dianteira independente, McPherson
Traseira independente, braço semi-arrastado
RODAS
Pneus 195/70 R 14 V 220/55 R 390 V
DIMENSÕES
Comprimento e entreeixos 4,75 m / 2,62 m
Peso 1.470 kg 1.450 kg 1.570 kg
DESEMPENHO
Velocidade máxima 215 km/h 230 km/h 255 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 7,9 s 7,4 s 6,4 s
Dados do fabricante