AIE lança apelo mundial inédito à construção de centrais nucleares
Pela primeira vez nos seus 32 anos de história, a Agência Internacional de Energia (AIE) prepara-se para abertamente apelar aos dirigentes mundiais para que ponderem a construção de novas centrais nucleares e acelerem as que estão já em curso.
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Eva Gaspar
egaspar@mediafin.pt
Pela primeira vez nos seus 32 anos de história, a Agência Internacional de Energia (AIE) prepara-se para abertamente apelar aos dirigentes mundiais para que ponderem a construção de novas centrais nucleares e acelerem as que estão já em curso.
"Precisamos de decisões rápidas, amanhã, se queremos evitar chegar a um ponto em que não há mais retorno em termos climáticos e de segurança no abastecimento", explica Fatih Birol, economista-chefe do AIE ao "Financial Times".
Diversos países, caso da Índia, China, Estados Unidos e França, estão a planear construir novas centrais nucleares, ao passo que em Espanha e na Alemanha, por exemplo, prosseguem moratórias ou processos de desmantelamento de antigas centrais.
Em Portugal, por seu turno, o nuclear continua totalmente banido, tendo o actual Governo de José Sócrates repetidamente afirmado que essa opção de produção de energia "está fora da agenda política".
Em antecipação da publicação, na próxima semana, do Relatório de Outono da AIE em que, pela primeira vez, a organização recomendará abertamente o nuclear, Fatih Birol diz que é preciso acabar com tabus e que os políticos devem tentar convencer os eleitores mais cépticos de que a opção nuclear é "segura e necessária".
"Estamos, em termos energéticos, num rumo vulnerável, sujo e caro", diz, concluindo que é preciso um sistema alternativo "mais limpo, seguro e menos dispendioso".
O relatório decorre de uma encomenda feita pelo G-8 que no Verão pediu à agência a elaboração de recomendações sobre como aumentar a segurança no fornecimento de energia e simultaneamente responder aos objectivos de redução da poluição.
O estudo da AIE conclui que o nuclear é uma fonte mais competitiva do que o gás e o carvão, e diz existirem depósitos suficientes de urânio para responder a uma cada vez maior procura. A anterior previsão de investimentos de 13,3 mil milhões no sector da energia até 2030 foi entretanto "significativamente revista em alta", avança o economista-chefe da instituição, reservando a divulgação dos novos números para a data da publicação oficial do relatório.