Função Pública... Funcionários públicos com privacidade ameaçada...

A velocidade neste contexto conta. E muito.

Há que ser arrojado, não andar às voltas e fazer as coisas depressa.

Não é muito difícil.

Dou-te um exemplo. Há uns meses tive a ocasião de conversar à vontade com uma senhora que é funcionária superior da Direcção Geral de Finanças. E a conversa vai naturalmente sobre o caos fiscal que existe em Portugal porque na minha perspectiva há uma quase inteira impunidade para os infractores.

E a conversa a partir de uma determinada altura assumiu contornos perfeitamente demenciais. Quando confrontada com a situação de que o incumprimento fiscal é de bradar aos céus e que noutros países, quem não cumpre tem logo uma brigada no mês seguinte a bater à porta. E ou trazem o gajo ou o dinheiro.
A resposta lapidar da senhora: Não queremos transformar este País num estado policial, pois não?

Esta pessoa tem como disse um cargo superior e pensa assim. Como pensarão os subordinados dela? Pior, claro !!!

E depois casos como da Beltrónica apavoram toda a gente. O desgraçado do gajo que levantou os autos levou com processos judiciais em cima por parte da Beltrónica e o seu Patrão o Estado, borrifou-se por inteiro para o assunto. Todas as despesas do processo correram por conta dele. Há uns tempos o Ministro das Finanças veio a público defender que a partir de agora o Estado iria pagar as despesas processuais neste caso.

Ir devagar?

Isto precisa de um tratamento de choque, é o que é. [:cool:]
Concordo com algumas das "nuances de um "Estado Policial", sobretudo pelo povo que temos, mas algumas das "nuances" não é uma concordância completa e absoluta! Um "Estado Policial" seria um risco muito perigoso de correr...

"Depressa e bem não há quem", lá diz o povo, na sua imensa, e quantas vezes não escutada, sapiência!

Não, meu caro, há, de facto, que implementar reformas, mas, e lá vem outro adágio, "as cadelas apressadas têm os cachorros cegos", toda a vida ouvi dizer!

Além do mais o saber da gestão, da verdadeira gestão, também releva aqui! As melhores empresas, as mais bem cotadas, as que dão mais lucros, não são as que aplicam tratamentos de choque!

Concordo que há que mexer, mas vamos com "calma" pois arriscamo-nos a estragar mais do que arranjamos.
 
Sim...:

Discussão - Entre funcionários públicos e pessoas que conhecem e compreendem por dentro o sistema e os que rejeitam liminarmente toda e qualquer explicação dada pelos primeiros, seja lá ela qual for;

Negação - Teimosa, da evidência de que os funcionários públicos não criaram a crise, não a embalaram, não a amamentaram e não são os seus progenitores;

Aceitação e exploração - De todas as políticas cegas contra os funcionários públicos, numa estranha, ou incompreensível solidariedade (ou desculpa...) para com este conjunto, grave, de ataques à humanização das relações de trabalho!...

O "vosso" erro, crasso e inconsistente, por reiterado e inamovível (sim, mais adjectivos...), é que seleccionaram, no que o vosso discurso deixa ver, apenas e unicamente os funcionários públicos como os responsáveis por não vivermos num país melhor e mais justo para todos! É um bocado de falta de imaginação e de transversalidade na análise, que se pretenderia mais vasta!

Porquê? Porque, sim, alguns funcionários públicos são responsáveis, sim senhor, como o são alguns funcionários privados, alguns empresários, alguns políticos, alguns lobbies, alguns...

Ora, como é fácil perceber, essa não é a verdade (ou a única e universal verdade) e nem é preciso "ir à China" (como se costuma dizer) para perceber-se isso mesmo!

Quanto muito, essa é, apenas, uma minúscula parte, um ínfimo componente de uma máquina estragada, danificada por outros responsáveis!...

O que eu gostaria de ver era os "liberais", para mostrarem que não estão só "de moca afiada" contra os funcionários públicos (como se esse fosse o único motivo a merecer atenção...), mais atentos ao vasto leque de variáveis, com um discurso revelador claramente de uma análise mais transversal das causas, da razão para o estado em que se encontra este país, sobretudo com mais atenção (e menos parcimónia...) para com a fuga ao fisco, para com a burocracia imposta pelo legislador (políticos), para com a estúpida e brutal carga fiscal (5% em comparação com Espanha, como é sabido e por exemplo) e, em função disso, que é o verdadeiro problema deste país, tomarem medidas, mostrarem o que realmente pensam fazer para corrigir esses abusos, em vez de atacarem, sistemática e cegamente, apenas os outros sectores produtivos, "arranhando" para os lados em vez de "arranharem" em frente!

Soa, perdoe-se-me, a alguma falta de coragem para dar o passo em frente e atacarem a raiz do problema, falta de coragem de que tanto acusam os funcionários públicos quando não querem abandonar a estabilidade que os liberais, como é óbvio, também não abandonarão sempre que possam!...

É estranho ser apenas essa a "vossa" preocupação, não achas?...[:p] [:p] [:p]


Ora cá está o 2º post neste tópico, merecedor do meu forte aplauso.

apr:) apr:) apr:) apr:) apr:)

[;)]
 
Além do mais o saber da gestão, da verdadeira gestão, também releva aqui! As melhores empresas, as mais bem cotadas, as que dão mais lucros, não são as que aplicam tratamentos de choque!

Concordo que há que mexer, mas vamos com "calma" pois arriscamo-nos a estragar mais do que arranjamos.

Mas estás a ver como voltamos sempre a pontos divergentes?

A ciência da Gestão está em saber aplicar as medidas necessárias no momento oportuno.

A IBM quando se viu confrontada com a extinção do seu mercado tradicional fez um tratamento de choque. Despediu mais de 60% da sua força de trabalho. Uma empresa que era para toda a vida. Outros gigantes não o fizeram e escafederam-se.

A VW errou a estratégia de produto e continua a errar na sua política pós-venda, além do que produzir na Alemanha começa a ser insuportável. O que fez ? medidas de choque. Está a ter outra vez lucros records.

Há uma coisa que eu gosto de ver no Dr. House. Ele não tem medo de errar e está sempre à procura da melhor solução.

Agora pactuar com a mediocridade e incompetência? Não meu caro. Isso são mais uns pregos no caixão do destino. [:cool:]
 
A raíz do problema é só isto? Então e...

a fraca competitividade do sector privado?
a falta de espírito empreendedor na sociedade?
a fuga dos alunos de tudo o que envolva matemática e/ou engenharia?
a fraca qualidade dos produtos Portugueses no estrangeiro?
o baixo valor acrescentado da indústria Portuguesa?
a quase inexistente investigação científica nas empresas?
a baixa taxa de inovação nas empresas?
o mau aproveitamento dos fundos comunitários pelas empresas?
a falta de estratégia empresarial?

Também é tudo culpa do Estado e da FP?

Pensar que o único culpado dos problemas do País é a FP, é... INGENUIDADE

Quando é que se convencem que TODOS têm culpa e que TODOS têm que mudar?
Sem esquecer, aqueles novos liberais (empresários) que no final do dia vão à caixa, sem facturas nem recibos(sem qualquer suporte), e vão pelos hipers comprar o melhor electrodoméstico), etc, etc, e vão para a praça pública, comentar que o ESTADO deveria despedir os carteiros, que só passeiam, porque o selo de uma carta é um roubo, deveria ser tudo de graça.... conheço um caso destes, infelizmente
Assim vão os nossos empresários.....
 
Sem esquecer, aqueles novos liberais (empresários) que no final do dia vão à caixa, sem facturas nem recibos(sem qualquer suporte), e vão pelos hipers comprar o melhor electrodoméstico), etc, etc, e vão para a praça pública, comentar que o ESTADO deveria despedir os carteiros, que só passeiam, porque o selo de uma carta é um roubo, deveria ser tudo de graça.... conheço um caso destes, infelizmente
Assim vão os nossos empresários.....
Tens que conhecer outro tipo de empresários. [:p]

Os que conheço não costumam ir à caixa registadora. Não têm...

Esses devem ser comerciantes, não? [:cool:]
 
Tens que conhecer outro tipo de empresários. [:p]

Os que conheço não costumam ir à caixa registadora. Não têm...

Esses devem ser comerciantes, não? [:cool:]

Infelizmente conheço muitos e todos a mesma coisa, o que interessa é só facturar o que se comprou, o resto, o serviço, é fuga....
Quer factura? Nem pense nisso são mais 21%; Cheque? prefiro em cash
 
Mas estás a ver como voltamos sempre a pontos divergentes?

A ciência da Gestão está em saber aplicar as medidas necessárias no momento oportuno.

A IBM quando se viu confrontada com a extinção do seu mercado tradicional fez um tratamento de choque. Despediu mais de 60% da sua força de trabalho. Uma empresa que era para toda a vida. Outros gigantes não o fizeram e escafederam-se.

A VW errou a estratégia de produto e continua a errar na sua política pós-venda, além do que produzir na Alemanha começa a ser insuportável. O que fez ? medidas de choque. Está a ter outra vez lucros records.

Há uma coisa que eu gosto de ver no Dr. House. Ele não tem medo de errar e está sempre à procura da melhor solução.

Agora pactuar com a mediocridade e incompetência? Não meu caro. Isso são mais uns pregos no caixão do destino. [:cool:]
Ena o Dr. House, eheheh, que grande "tiro ao boneco" que ele faz, até acertar...

Mas congratulo-me em que voltemos aos pontos discordantes, facto revelador da consistência dos ideais de cada um, não voláteis e inconsistentes, embora, também acredito, parcialmente errados cada um deles!...[;)]
 
Infelizmente conheço muitos e todos a mesma coisa, o que interessa é só facturar o que se comprou, o resto, o serviço, é fuga....
Quer factura? Nem pense nisso são mais 21%; Cheque? prefiro em cash
Continuo a dizer que o que deves conhecer é Comerciantes e aquelas coisas todas em nome individual a que se dá o nome de Empresário.

Agora Empresários de peito feito, capaz de gerar riqueza para si e para os outros, directos e indirectos, não deves conhecer muitos.

Porque esses também não gostam de pagar impostos, mas pressionam o Governo para benesses.
 
"As mulheres empregadas na administração pública portuguesa recebem, em média, salários superiores aos dos homens. Segundo um estudo divulgado pelo Banco de Portugal no final de 2005 com base em dados de 1999 - os últimos conhecidos -, a diferença é significativa e patente em quase todos os níveis salariais. Em média, as mulheres têm salários superiores em 26%. Nas carreiras mais mal pagas, o diferencial é de 5,3% e, nas mais bem pagas, é de 9,3%. Só mesmo nos extremos, ou seja, nos cargos com a remuneração mínima ou máxima, é que os homens conseguem superar as mulheres em matéria de salários.

Mas será mesmo assim?, questiona o leitor mais céptico. Bem, o assunto merece esclarecimentos adicionais. É que as mulheres ganham mais porque têm melhores qualificações, que exigem, naturalmente, remunerações superiores. Exemplo disso, é o peso esmagador das mulheres no ensino e na saúde, precisamente em funções que exigem geralmente níveis superiores de escolaridade e cujos vencimentos são bem superiores à média praticada na função pública.

Aliás, se descontarmos este efeito da qualificação, ou seja, se a comparação for feita entre homens e mulheres com igual nível de escolaridade, conclui-se que as mulheres são mais mal pagas. Conforme refere o mesmo estudo de Mário Centeno e Manuel Coutinho Pereira, "as mulheres têm um retorno salarial inferior ao dos homens no que se refere às características individuais". O fenómeno é ainda mais pronunciado nos escalões mais altos de remuneração, reflectindo o facto de a estrutura dirigente da administração pública ser dominada pelos homens"

Em http://dn.sapo.pt/2007/03/16/economia/portuguesas_ganham_mais_funcao_publi.html

Mais um dado interessante para a discussssão.
 
Continuo a dizer que o que deves conhecer é Comerciantes e aquelas coisas todas em nome individual a que se dá o nome de Empresário.

Agora Empresários de peito feito, capaz de gerar riqueza para si e para os outros, directos e indirectos, não deves conhecer muitos.

Porque esses também não gostam de pagar impostos, mas pressionam o Governo para benesses.
Olha, benesses, privilégios, diferenciações, regalias injustificadas...[:D] [:D] [:D] [;)]
 
"As mulheres empregadas na administração pública portuguesa recebem, em média, salários superiores aos dos homens. Segundo um estudo divulgado pelo Banco de Portugal no final de 2005 com base em dados de 1999 - os últimos conhecidos -, a diferença é significativa e patente em quase todos os níveis salariais. Em média, as mulheres têm salários superiores em 26%. Nas carreiras mais mal pagas, o diferencial é de 5,3% e, nas mais bem pagas, é de 9,3%. Só mesmo nos extremos, ou seja, nos cargos com a remuneração mínima ou máxima, é que os homens conseguem superar as mulheres em matéria de salários.

Mas será mesmo assim?, questiona o leitor mais céptico. Bem, o assunto merece esclarecimentos adicionais. É que as mulheres ganham mais porque têm melhores qualificações, que exigem, naturalmente, remunerações superiores. Exemplo disso, é o peso esmagador das mulheres no ensino e na saúde, precisamente em funções que exigem geralmente níveis superiores de escolaridade e cujos vencimentos são bem superiores à média praticada na função pública.

Aliás, se descontarmos este efeito da qualificação, ou seja, se a comparação for feita entre homens e mulheres com igual nível de escolaridade, conclui-se que as mulheres são mais mal pagas. Conforme refere o mesmo estudo de Mário Centeno e Manuel Coutinho Pereira, "as mulheres têm um retorno salarial inferior ao dos homens no que se refere às características individuais". O fenómeno é ainda mais pronunciado nos escalões mais altos de remuneração, reflectindo o facto de a estrutura dirigente da administração pública ser dominada pelos homens"

Em http://dn.sapo.pt/2007/03/16/economia/portuguesas_ganham_mais_funcao_publi.html

Mais um dado interessante para a discussssão.
Boa deixa! [;)]
 
Continuo a dizer que o que deves conhecer é Comerciantes e aquelas coisas todas em nome individual a que se dá o nome de Empresário.

Agora Empresários de peito feito, capaz de gerar riqueza para si e para os outros, directos e indirectos, não deves conhecer muitos.

Porque esses também não gostam de pagar impostos, mas pressionam o Governo para benesses.
Complectamente de acordo....
 
Mais uma deixa, passarão os FP a ser reformados antes dos 40? [:D] [:D] [:D]

Funcionário público ideal

Menos de 40 anos, licenciado, zeloso, competitivo. Este é o retrato-robô do trabalhador que o Governo quer ter em 2009. Mudam os vínculos, os salários, as carreiras e as próprias funções do Estado. Infografia interactiva com as reformas propostas pelo Governo. Debate (no final desta página) sobre a Função Pública

Mesma fonte:

"Uma das queixas mais recorrentes no actual debate sobre a reforma da Administração Pública (AP) é a de que o Governo ainda não decidiu quais são as funções nucleares do Estado. Ou seja, que tipo de tarefas deve o Estado reservar, em exclusivo, para si, afastando a perspectiva da «privatização». Mas, nas entrelinhas desta reforma, que o próprio Executivo assume ser a «mãe de todas as reformas», há definições importantes. Desde logo, é curioso verificar que a nomeação, vínculo actual da função pública – com todas as suas regras apertadas e benefícios –, passa a ter como destinatários exclusivos os funcionários da administração directa da Justiça, Defesa, representação externa, segurança pública, informações de segurança, investigação criminal e inspecção. Se isto não é uma definição...

No futuro, todos os outros funcionários do Estado terão regras cada vez mais parecidas com as das empresas privadas (no que diz respeito a férias, folgas e até despedimentos), uma vez que serão admitidos, tendencialmente, através de contratos individuais de trabalho. É esse o futuro reservado aos profissionais de Educação, Saúde e restantes carreiras da folha de pessoal do patrão Estado.

Esta mudança implicará que todos os que até hoje entraram no Estado por nomeação, para exercer outras funções que não as chamadas «nucleares», tenham um regime transitório, mantendo a protecção social, o direito de não serem despedidos e a possibilidade de entrar no Sistema de Mobilidade Especial.

Se usarmos uma lente de aumentar, esta reforma permite traçar um retrato aproximado do «funcionário público ideal»: menos de 40 anos, licenciado ou com formação especializada, leal, zeloso, empenhado e flexível, com espírito de equipa e adaptabilidade de horários, bom domínio de línguas e novas tecnologias, sujeito a avaliação de desempenho criteriosa e progressão na carreira consoante o mérito, tendencialmente admitido em regime de Contrato Individual de Trabalho. Parece um anúncio de jornal a oferecer trabalho, mas não é. Este é o retrato-robô dos funcionários públicos que o Governo quer ter a partir de 2009, como resultado da reforma da Administração Pública (AP). Embrionária, mas em curso.

Até ao final da legislatura, o Executivo mantém ainda outro objectivo: diminuir, em 75 mil, o número de recursos humanos, reduzir as cerca de mil carreiras existentes na Função Pública e criar uma tabela salarial para todos (à excepção dos magistrados). Para chegar a este «Estado moderno», como o Governo gosta de lhe chamar, estão a decorrer conversações com os sindicatos, que levarão a grandes mudanças no sistema de contratações, de remuneração e de progressão na carreira.

A concertação social em torno dos «princípios orientadores» desta reforma deverá ficar encerrada até 11 de Junho deste ano, altura em que as ideias serão vertidas para propostas de lei. Mas Luís Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças de José Sócrates, já alertou para o contra-relógio: «É agora ou nunca», escreveu num artigo de opinião, no jornal Público.

Palavras que foram tomadas como um aviso sério, por partirem de um homem que conhece bem a importância desta reforma para o programa socialista (uma vez que foi ele quem a iniciou). Campos e Cunha mantém-se atento ao desenrolar dos trabalhos, mas não presta mais declarações. «Não quero comentar aspectos muito concretos da política do Ministério das Finanças», admite à VISÃO..."

...
 
Mesma fonte do post anterior:

"A lista negra

O Sistema de Mobilidade Especial (SME) – normalmente designado por lista de supranumerários (nome que nunca aparece na legislação) – é um dos pi,lares da reforma da AP e um dos processos que mais cedo começará a funcionar. Em traços gerais, o SME vai consistir numa lista, actualizada anualmente, onde estarão todos os funcionários considerados «a mais» nos seus serviços de origem.

A lista de excedentários deste ano só será conhecida depois de as leis orgânicas dos serviços públicos (que foram recentemente aprovadas em Conselho de Ministros) serem publicadas em Diário da República, o que, por sua vez, depende da promulgação, por Cavaco Silva.

O que aconteceu até agora, mais precisamente até 28 de Fevereiro, foi que os organismos de todos os ministérios desencadearam processos de averiguação dos mapas de pessoal, para chegarem à conclusão de quantas pessoas precisam (e quantas dispensam).

Nesta fase, que equivale à primeira parte do PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado), o Governo já reduziu os organismos públicos de 518 para 257. Os funcionários, esses, foram sujeitos a entrevistas e inquéritos para classificar as suas funções, salários e necessidades de formação e para averiguar a sua disponibilidade de passarem, por iniciativa própria, para o quadro de supranumerários.

Uma funcionária da extinta Direcção-Geral do Turismo, que participou num desses processos, realizado pela Hay Group, uma consultora externa, aceitou, sob anonimato, falar à VISÃO. «Começámos por preencher um questionário que nos foi enviado por e-mail e que pedia informações curriculares», explica a funcionária. Seguiu-se uma entrevista individual, de 50 minutos, com questões mais específicas. «Aí perguntaram-nos se sabíamos o que ia acontecer, na sequência da reestruturação de serviços públicos. Quiseram saber se teríamos problemas em ir para as listas de excedentários e como víamos a possibilidade de perdermos o vínculo de nomeação à Função Pública.»

A intervenção da consultora terminou com um relatório e não chegou ao ponto de determinar quem seriam as pessoas dispensáveis naquele serviço. Os nomes serão decididos pela tutela, segundo os critérios de mérito e a gestão por objectivos definidos no SIADAP (Sistema de Avaliação do Desempenho da Administração Pública) ou noutro tipo específico de avaliação criado para esse efeito.

Quantos ficarão pelo caminho?

Só depois de avaliados é que os trabalhadores darão entrada nesta lista em que ninguém quer estar. Mais tarde, serão alvo de formação profissional e reiniciarão funções noutros sectores do Estado, consoante as necessidades e as habilitações.

Em tese, o sistema funcionará na perfeição se todos os excedentários forem recolocados em trabalho compatível. Caso isso não aconteça, pode dar-se uma de duas situações: ou o funcionário foi admitido em regime de Contrato Individual de Trabalho e, após um ano sem conseguir colocação, inicia-se o processo do seu despedimento; ou o funcionário tem vínculo efectivo por nomeação e mantém-se indefinidamente em casa à espera de nova colocação e a ganhar menos (redução de 16% no salário ao fim de dois meses e de 33% a partir do primeiro ano). Em qualquer dos casos, a porta está sempre aberta para a desvinculação voluntária, a reforma ou mesmo a demissão com «justa causa» (após dois anos de avaliações negativas e mediante instauração de processo disciplinar).

A mobilidade especial aparece, assim, como uma das formas de cumprir uma promessa eleitoral: reduzir, até 2009, 75 mil funcionários públicos dos actuais 737 774.

Na última segunda-feira, 12, o Correio da Manhã avançava, porém, com um objectivo substancialmente maior. O dobro: «A reforma da AP poderá implicar, nos próximos quatro anos, uma redução da ordem de 150 mil postos de trabalho nos serviços do Estado», de forma a poupar os 4 950 mil milhões de euros inscritos no «Plano de Estabilidade e Crescimento já aprovado pela Comissão Europeia».

A VISÃO fez um pedido formal de entrevista ao secretário de Estado da área, João Figueiredo, mas a resposta foi negativa por se considerar que o tempo é de negociação, e assim será até ao final do primeiro semestre. Restam os sindicatos e especialistas em AP para falar, sem rodeios, sobre as mudanças que aí vêm.

Linhas ocupadas

Todos os sectores – Governo, sindicatos e trabalhadores – querem uma Administração Pública mais eficaz e ágil, mas os caminhos da reforma estão longe de ser conciliadores. «Andamos a clamar a mudança, no sentido da maior eficiência, desde os anos 80», explica Nobre dos Santos, dirigente da Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), afecta à UGT. «Neste momento, há voluntarismo de toda a gente, mas a reforma é vista como uma coisa vaga.»

Na opinião deste sindicalista, o que falta à AP não são funcionários competentes, mas uma gestão objectiva, real e transparente. «Num momento em que o trabalho é um bem escasso, é preciso acalmar a consciência dos trabalhadores e explicar-lhes que não é culpa deles, mas da gestão», afirma.
As últimas notícias relacionadas com a reforma da AP, algumas contraditórias, não ajudam a sossegar as hostes. «Dois anos de avaliação negativa dá despedimento», «Sócrates cede à Função Pública», «Horário de trabalho pode aumentar», «Funcionários públicos podem perder regalias nas férias e folgas», «Poupança ameaça 150 mil até 2010» – títulos como estes entupiram os sindicatos. «As 12 linhas que temos aqui na FESAP têm estado permanentemente ocupadas», revela Nobre dos Santos. Quem liga está preocupado, sobretudo, com a possibilidade de despedimento, o futuro das carreiras, as remunerações, a manutenção dos direitos e a mobilidade especial. No fundo, os instrumentos da reforma.

Ao nível das carreiras, já é certo que deixarão de existir as mais de mil actuais, mas ainda não se sabe o número mínimo a que o Governo pretende chegar. A intenção é também que deixe de se fazer sentir «o motor interno automático» (em que a progressão acontece obrigatoriamente por antiguidade) e que se passe a ter em conta o mérito profissional e a avaliação por objectivos (com os respectivos prémios de desempenho, se for caso disso, já em 2008).

No capítulo das remunerações, a proposta do Executivo vai no sentido de reduzir as mais de 500 posições salariais existentes actualmente na Função Pública, criando uma única tabela salarial (aplicável a todos, menos aos magistrados). Há ainda a ideia de acabar com suplementos e complementos especiais, integrando-os no ordenado-base.

Estes «princípios orientadores» permitem aos sindicatos fazer um balanço, ainda que incipiente, da reforma. Contentes por estarem a ser ouvidos, aborrecidos por saberem de muita coisa através da comunicação social, os rostos da habitual contestação ao Governo lamentam que se esteja a caminhar no sentido da precariedade.

Bettencourt Picanço, dirigente do Sindicato de Quadros Técnicos do Estado (STE), chama a atenção para o facto de, até ao momento, o «móbil do Governo» ter sido «a redução do défice». Nobre dos Santos, da FESAP (afecta à UGT), sublinha: «Eles ainda não perceberam que esta maior precariedade de emprego não conduz a maior eficiência.»

Do lado da CGTP, a resposta deverá fazer-se ouvir, nas ruas, durante o mês de Maio. Na quarta-feira, 7 de Março, Ana Avoila, da Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública, deixou no ar a promessa de uma manifestação nacional, pouco tempo antes de Portugal assumir a presidência da União Europeia."
 
Já tinha tido lido on-line Pé Leve[;)] , mais uma informação para se debater.
Pois é...

O "perverso" desta questão é que, do que transparece, uma vez mais, a mudança não visará a optimização, mas, tão somente, a redução brutal de custos, para cumprir o «Plano de Estabilidade e Crescimento já aprovado pela Comissão Europeia»...
 
Mais uma deixa......

"As estruturas sindicais da Função Pública rejeitaram unanimemente, ontem, a possibilidade de os dirigentes dos serviços negociarem com os candidatos a um posto de trabalho a sua remuneração. Esta hipótese está consagrada na proposta governamental para o futuro modelo de carreiras, vínculos e remunerações, havendo a promessa do Governo de que o novo sistema terá limites.

"O modelo proposto prevê que, dentro de determinadas regras e limites, os dirigentes possam fixar a remuneração do candidato", explicou o secretário de Estado da Administração Pública, sublinhando que estes limites vão ser fixados na lei e nos instrumentos de negociação colectiva.

O Governo pretende que, dentro das disponibilidades orçamentais do serviço, o respectivo dirigente possa indicar, por escrito, a posição remuneratória na carreira ou categoria que o candidato vai ocupar. Se este recusar, o mesmo valor é oferecido ao segundo classificado. Para os sindicatos, esta possibilidade fará com que, na prática, ocupe o lugar, não o melhor classificado, mas o que aceitar trabalhar por menos dinheiro.

Para Nobre dos Santos, da Fesap, este sistema - que classificou de "inqualificável" - assemelha-se a um leilão. Ana Avoila, da Frente Comum , também antevê que o novo modelo vá originar uma "completa falta de transparência" e "injustiças" salariais. Para o STE, a possibilidade de os dirigentes atribuírem a remuneração que "bem entenderem" tem de ser rejeitada."

Em http://jn.sapo.pt/2007/03/16/economia_e_trabalho/sindicatos_rejeitam_diferenciacao_sa.html
 
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