Obrigado Salazar por teres posto fim a esta cobowyada.
1910:
Outubro, 5 - Instauração do regime republicano. O Exército, sobretudo o seu corpo de oficiais, não participou, de facto, nem a favor nem contra a insurreição.
Outubro, 9 - Os presos pertencentes a associações secretas são libertados. O objectivo é libertar os membros da Carbonária, a organização bombista republicana.
Outubro, 10 - As perseguições religiosas, durante a primeira semana de governo republicano, fazem com que nas prisões de Lisboa estejam encarcerados 128 padres e 233 freiras, tendo sido assassinados dois padres lazaristas.
- As perseguições políticas em Lisboa produzem a destruição dos jornais Liberal, do partido progressista, e Portugal, católico.
Outubro, 26 - Os dias santificados são abolidos, com a excepção do Domingo, passando a ser considerados dias de trabalho.
Novembro, 11 - Continuando as perseguições por motivos religiosos, Afonso Costa propõe a divulgação dos nomes e das biografias dos jesuítas que viviam em Portugal.
1911
Janeiro, 7 - Greve geral dos ferroviários, que termina o movimento grevista iniciado em 15 de Novembro de 1910. A resposta da GNR aos piquetes e manifestações sindicais é normalmente violenta.
Janeiro, 8 - Continuação das perseguições políticas com assalto às redacções dos jornais monárquicos de Lisboa, Correio da Manhã, O Liberal e Diário Ilustrado.
Fevereiro, 17 - Continuam as perseguições políticas, com ameaças a Sampaio Bruno, que o levou a susper a publicação do Diário da Tarde, jornal que tinha fundado no Porto, e começado a sua publicação em 2 de Janeiro. Sampaio Bruno partiu para o exílio em Paris, depois de ter sido ameaçado pelo novo governador civil republicano do Porto.
Fevereiro, 23 - Numa pastoral colectiva, divulgado sem pedido prévio de autorização ao governo, os bispos portugueses tomam posição contra as medidas de laicização tomadas pelo governo até ao momento.
- Continuam as perseguições políticas, com confrontos, no Porto, entre republicanos e católicos, membros do Centro Católico e da Associação Católica.
Dezembro - Realiza-se o recenseamento da população portuguesa. A população ascendia a 5.950.056 habitantes. 80% trabalhava na agricultura e 75% era analfabeta.
1912
14 de Janeiro - A perseguição anti-clerical continua, com a proibição dos bispos de Coimbra e Viseu residirem no distritos das suas dioceses.
31 de Janeiro - Forças militares e da carbonária tomam de assalto a União dos Sindicatos. Os presos são enviados para bordo da fragata D. Fernando e do transporte Pêro de Alenquer.
1913
27 de Abril - Tentativa revolucionária contra o primeiro governo presidido por Afonso Costa. É a primeira vez que republicanos participam num golpe contra um governo republicano.
10 de Junho - Lançamento de bombas sobre o cortejo de homenagem a Camões, que era constituído fundamentalmente por crianças.
7 de Julho - Tentativa revolucionária radical com assalto ao Quartel de Marinheiros. É criado o Ministério da Instrução Pública.
20 de Julho - Tentativas monárquicas de assalto a vários quartéis de Lisboa, contra os quais foram arremessadas bombas explosivas.
20 de Outubro - Nova tentativa de revolução monárquica levada a cabo por civis e liderada por João de Azevedo Coutinho.
1914
18 de Setembro - Tumultos e assaltos a lojas em Lisboa e no Porto, devido ao aumento do custo de vida.
17 de Novembro - É proibida a subida ao palco de uma revista, no Teatro da Rua dos Condes, por dar um quadro pouco abonatório do exército português.
1915
3 de Março - O aumento do preço do pão provoca assaltos às padarias e tumultos um pouco por todo o país.
14 de Maio - Em Lisboa, grupos tumultuosos de pessoas assaltam armazéns e padarias à procura de comida. Aproveitando a situação republicanos civis e militares levam a efeito um movimento revolucionário que provoca centenas de mortos e feridos.
17 de Maio - Devido a um atentado no Entroncamento à vida de João Chagas, que fica gravemente ferido e cego de um olho, José Ribeiro de Castro é nomeado chefe do governo.
1916
31 de Agosto - É votada a pena de morte em situação de guerra.
26 de Fevereiro - A iluminação pública em Lisboa é diminuída, para poupar energia.
13 de Maio - Primeira aparição em Fátima de Nossa Senhora aos três pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta.
19 a 21 de Maio - Greves, motins e assaltos a mercearias e armazéns de Lisboa e arredores, assim como no Porto, devido à carestia de vida, provocada pelo racionamento, que provocaram uma repressão feroz por parte do governo de Afonso Costa. No Porto as vítimas ascenderam a vinte e duas.
8 de Dezembro - Afonso Costa, presidente do conselho de ministros, é preso.
1918
6 de Janeiro - Tentativa de acção contra-revolucionária levada a cabo por marinheiros da Armada.
3 de Agosto - Debate no Parlamento sobre o Problema Religiosos, que provocou grande agitação, e o seu encerramento três dias depois.
8 de Setembro - Começo da distribuição de senhas de racionamento e de cartas de consumo.
12 e 13 de Outubro - Tentativa revolucionária em diversas localidades do país. É declarado o estado de emergência pelo governo, que consegue controlar a situação.
5 de Dezembro - Atentado contra Sidónio Pais por um membro do Partido Democrático, de que o presidente da república sai ileso.
14 de Dezembro - Sidónio Pais é assassinado em Lisboa, na Estação do Rossio, baleado por um sargento do exército.
1919
12 de Janeiro - Movimento revolucionário, de cariz republicano, em Santarém que leva a confrontos com o exército durante alguns dias.
19 de Janeiro - A Monarquia é proclamada em Lisboa e no Porto. Organiza-se uma Junta Governativa do Reino dirigida por Paiva Couceiro, que declara o estado de sítio em todo o território continental. O movimento ficará conhecido por «Monarquia do Norte».
13 de Fevereiro - As forças republicanas ocupam o Porto, depois de terem avançado pelo litoral centro, de Lisboa até ao Porto.
Fevereiro, 23 - Devido a tumultos provocados pelos democráticos, que obrigaram o governo de José Relvas a refugiar-se no Quartel do Carmo, é decretada a extinção da polícia cívica e demitido o governador civil de Lisboa.
Março, 14 - Vários professores de Coimbra são suspensos, entre os quais Salazar, Fezas Vital, Magalhães Colaço e Carneiro Pacheco, Diogo Pacheco de Amorim e Mendes dos Remédios.
Junho, 3 - Greve dos caminhos-de-ferro, que durará dois meses.
Junho, 6 - O Governo encerra o sindicato dos ferroviários.
Junho, 17 - Greve geral de 48 horas, com sucesso parcial. Explodem várias bombas em Lisboa, e a sede da União Operária Nacional é encerrada.
Julho, 31 - Regressam as perseguições aos católicos, com um assalto à igreja dos Congregados e ao jornal O Debate.
Agosto, 15 - Durante a greve dos ferroviários, explodem algumas bombas na estação do Rossio, há cenas de tiros no Entroncamento, continuando os descarrilamentos de comboios. Grevistas são colocados nos primeiros vagões das composições
Setembro, 3 - Tumultos, em Lisboa devido à destruição pela câmara municipal do passeio central do Rossio.
1920
Janeiro, 3 - Remodelação governamental, com entrada de mais radicais para o governo.
Fevereiro, 21 - Arrebentam várias bombas em Lisboa, continuando os tumultos no dia 22, com ataque ao jornal O Século, e no dia 23, em que se julgou o processo contra o oficial sidonista Teófilo Duarte, que terminou com a sua demissão do exército.
Março, 17-19 - Grandes tumultos, provocados pela onda de greves. Sindicalistas disparam sobre a Guarda Nacional Republicana.
Março, 19 - Uma força naval inglesa faz exercício de tiro real em frente ao Terreiro do Paço, no dia em que se temia o desencadear de uma revolução bolchevique em Lisboa.
Abril, 12 - São lançadas bombas contra uma manifestação de apoio ao governo na Rua Augusta, que provocam várias mortes.
Abril, 14-15 - Atentados em Lisboa, Porto, Faro e Beja.
Julho, 4 - O juiz do Tribunal de Defesa Social Pedro de Matos, é assassinado, sendo o tribunal atacado à bomba de seguida.
Julho, 8 - Movimentos grevistas e tumultos em todo o país, sem controlo sindical. São chamadas revoltas da fome.
Julho, 9-19 - Novos movimentos grevistas e tumultos por todo o país, continuando as greves da fome.
Julho, 30 - O movimento grevista e bombista continua por intermédio da Legião Vermelha.
Agosto, 20 - Atentado contra outro juiz do Tribunal de Defesa Social, o Dr. Félix Horta.
Setembro, 30 - Greve dos ferroviários. O governo utiliza os sapadores do Exército para conseguir manter as linhas em funcionamento. As linhas são dinamitadas, ao que o governo responde colocando à frente dos comboios os grevistas presos.
Dezembro, 9 - O ministro das finanças Cunha Leal reconhece que Portugal se encontra sem recursos em Lisboa e a descoberto em Londres, afirmando que o país está «sem recursos necessários para comprar o pão nosso de cada dia».
1921
30 de Setembro - Tentativa de golpe de estado dirigido pelo tenente-coronel Manuel Maria Coelho. Preso é libertado por António Granjo.
19 de Outubro - Golpe de 19 de Outubro, conhecido pela Noite Sangrenta. São assassinados António Granjo, Machado dos Santos, Carlos da Maia, Freitas da Silva, Botelho de Vasconcelos, entre outros. O assassino de Sidónio Pais é libertado e homenageado. O coronel Manuel Maria Coelho é empossado na presidência do governo por António José de Almeida. O golpe é promovido por radicais e dissidentes do partido democrático.
21 de Outubro - Alfredo da Silva foge para Espanha escapando a um atentado em Leiria.
31 de Outubro - Atentado à bomba contra consulado dos Estados Unidos em protesto contra a condenação à morte dos anarquistas norte-americanos Sacco e Vanzetti.
9 de Novembro - Um comboio de passageiros é descarrilado, propositadamente, na linha do sul e sueste, entre Aljustrel e Figueirinhas, ocasionando muitas mortes e ferimentos.
27 de Dezembro - Governo retira-se para Caxias, Aairmando haver perigo de golpe de estado, e chama Gomes da Costa para comandar as forças do exército concentradas no campo entrincheirado.
1922
18 de Fevereiro - Tentativa de golpe de estado radical, «outubrista», Governo instala-se em Caxias e o presidente em Cascais.
5 de Agosto - Agitação popular contra as novas medidas do pão, com assaltos às padarias.
2 de Setembro - Rebentamento de bombas no Porto.
8 de Setembro - Assassinato de Ségio Príncipe, dirigente da Confederação Patronal Portuguesa e da Associação Comercial dos Lojistas de Lisboa, considerado defensor de uma solução radical de direita para o problema político português.
1923
27 de Fevereiro - Continuação da agitação laboral provocada pelo aumento do preço do pão, com deflagração de bombas.
17 de Julho - Devido à proibição pela censura da peça de teatro Mar Alto, de António Ferro, Fernando Pessoa, Raul Brandão, António Sérgio, Jaime Cortesão e Aquilino Ribeiro divulgam um protesto público.
16 de Agosto - O governo decreta um novo regime cerealífero que termina com o pão politico. O preço do pão mais barato sobe 50 %.
10 de Dezembro - É desencadeado um movimento revolucionário radical contra o governo, dirigido pelo capitão de fragata João Manuel de Carvalho, comandante do contra-torpedeiro Douro. Após o disparo de alguns tiros, os chefes da revolta foram presos, mas tendo conseguido fazer com que o governo de Ginestal Machado pedisse a demissão no dia 14 seguinte.
1924
22 de Fevereiro - As Juntas de Paróquia organizam uma manifestação contra o aumento do custo de vida, que acabou com a tentativa de invasão do Parlamento.
14 de Julho - Confrontos violentos entre a Polícia, o Exército e a Guarda Nacional Republicana, no Parque Eduardo VII, em Lisboa.
9 de Setembro - Os impostos são agravados.
12 de Setembro - Nova tentativa radical e comunista de tomada do poder, com assalto ao Ministério da Guerra e à Central Telegráfica.
14 de Outubro - Tumultos no Porto e em Espinho.
7 de Novembro - O governo proibe a realização de uma manifestação de comemoração da revolução russa.
1925
18 de Abril - Tentativa de golpe militar dirigida pelo general Sinel de Cordes, comandante Filomeno da Câmara e o tenente-coronel Raul de Esteves, com o apoio de quase toda a guarnição de Lisboa. Não tendo comparecido no Parque Eduardo VII uma parte das forças militares, o golpe foi vencido, após alguns combates.
- O estado de sítio é declarado em todo o país, suspendendo-se todas as garantias constitucionais.
15 de Maio - Duplo atentado a tiro contra o comandante da polícia Ferreira do Amaral, organizado pela Legião Vermelha, organização ligada ao PCP.
3 de Junho - Tentativa de greve geral de protesto contra as deportações sem julgamento de presos por delitos sociais..
19 de Julho - Tentativa de golpe militar dirigido pelo comandante Mendes Cabeçadas, com intenção de conseguir a dissolução do Parlamento. Sem apoio significativo falhou e Mendes Cabeçadas foi preso.
1926
1 de Fevereiro - Revolta da escola Prática de Artilharia em Vendas Novas, dirigida pelos radicais Martins Júnior e alferes Lacerda de Almeida. Depois da prisão dos oficiais, o regimento comandado pelos sargentos dirigiu-se para o Seixal tendo ocupado o forte de Almada, donde dispararam contra Lisboa.
12 de Fevereiro - O general Gomes da Costa recusa o convite de Mendes Cabeçadas para dirigir o golpe militar que está a preparar.
e continuava...