O mito dos médicos cubanos - Falta de médicos em Portugal

Sorry a extensão do texto

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Eu tenho a opinião que deviamos evoluir para o sistema americano que no fundo é para onde aponta Bolonha num horizante de longo prazo.

Depois do secundário, existia um ramo comum para todos os cursos de saúde superiores.

No final de x anos, fazia-se a selecção com base nos resultados alcançados.

Ou então para o método belga.

1º ano com muito mais vagas que os restantes anos (o resultado prático iria ser deixar entrar tudo a partir do 16...), com selecção a ser feita no final desse 1º ano (só 1/5 pode continuar) com base nos resultados alcançados pelos alunos.

No fundo vai dar a mesma coisa, mas a selecção já é feita na Faculdade e em total igualdade de oportunidades.

Eu bem que gostaria que fosse à inglesa com a entrevista (para além dos resultados de exames), que é sem sombra de dúvidas o melhor método. Mas nós não somos ingleses, infelizmente. Não somos. Nem seremos. E indo para aí...ia dar cunhice aguda.

Em relação ao número de vagas: parece-me óbvio que durante anos elas foram insuficientes.

Chegaram a existir anos onde nem 200 vagas a nível nacional existiam!

De há 2 anos para cá, entram 1400/ano. Desde 2000 que as vagas têm aumentado, ano após ano, consideravelmente.

Temos 2 faculdades recentes, Minho e Covilhã.

E fez-se o ciclo básico na Madeira com continuação via FML.

Óbvio que os efeitos só se fazem sentir a médio prazo.

E o ministro fala mesmo em 2000/ano. Sinceramente, não sei onde vai buscar as 600 que faltam, porque as faculdades estão a rebentar pelas costuras, a minha (FML) que é a maior do país, particularmente.

São 330-350 (300 via geral, mais umas tantas pelas vias restantes...) almas novas a cada ano!

Aulas téoricas para 300 e tal pessoas, qual curso de Direito :sh) [:D]

A faculdade só tem um anfiteatro (destinado ao 1º ano) que pode comportar mais de 300 pessoas.

Sabem como é no 2º ano?

150 têm direito a professor ao vivo. Os restantes têm por video-conferência. Isto para as teóricas.

E práticas com turmas de 30 pessoas...

E isto com um edifício recente (2004) destinado para os anos do ciclo básico e pré-cliníco.

E nem falo da realidade estrutural que é o HSM. Não é por acaso que vêm aí obras, pena que já não vou apanhar o seu resultado enquanto estudante.

E os alunos da Madeira (que depois no 3º ano, se juntam a nós), também têm téoricas exclusivamente por video-conferência durante todo o ciclo básico.

Quanto às notas em si.

Com base na minha experiência cheguei a esta conclusão:

Um aluno com menos de 16 nunca terá a capacidade para fazer o curso com normalidade temporal, e dificilmente será um bom médico.

Porque, e isto pode até ser muito elitista ou o que quiserem, está longe de ser um curso fácil.

E em todos os países, não é qualquer um que faz Medicina.

Se precisam de ser "crânios"?

Óbvio que não.

Mas é necessária uma inteligência média superior, indiscutivelmente. Mas é que é indiscutível.

Método, disciplina, capacidade de raciocínio e, há que dizê-lo, memória.

O factor humano é importante, mas essa visão romântica do médico "madre teresa de Calcutá", é totalmente parva.

Um bom factor humano é ser-se bom no que se faz, ser-se correcto com os doentes e acima de tudo tratá-los com respeito.

Mas ter a frieza (e sei que esta palavra é politicamente incorrecta [:p] ) que a profissão exige em momentos-chave, que não são poucos.

E isto vai muito contra o eduquês reinante e, lá está, o politicamente correcto. Tenho perfeita noção nisso. Sabem que mais? Paciência [:p]

Particularmente é preciso saber ouvir o doente, mas impor-lhe limites sem lhe demonstrar que se está a fazê-lo (aí está a verdadeira arte! [:cool:] ).

Porque se não, as consultas com os velhotes seriam intermináveis, não sei se estão a ver [:D]

Porque isto pode ser tudo muito bonito nos filmes, mas diariamente médicos, enfermeiros, etc, vêem coisas que não lembram ao diabo e não se resolvem todas como nos filmes.

E nem falo na carga de responsabilidade...

Se se estiverem a envolver emocialmente a cada caso complicado só...prejudicam o doente pois não têm a racionalidade suficiente para o ajudar.

No fundo o factor humano não tem de ser especial.

Basta ser-se educado, correcto, afável e prestável. Não é preciso mais que isso.

Uns têm estas características e outros não. E isso não se aprende propriamente num livro nem é exclusivo dos "bonzinhos".

Não é preciso ser herói, nem ser salvador dos pobres e oprimidos.

Existe uma caricatura muito comum em relação aos alunos de Medicina.

Não acho que sejam diferentes emocionalmente que os restantes.

São dos melhores intelectualmente, é um facto.

Mas isso não significa ser-se emocionalmente ou humanamente inferior.

Tenho muitos colegas que, como eu, até serviço voluntário já faziam antes de entrar na faculdade, coisa que muitos humanistas que aprendem o romantismo através do papel, nunca fizeram na vida.

E deixem lá que cada vez mais, mesmo não se querendo, passa-se por isso logo no 1º ano, porque existem estágios obrigatórios a nível de instituições de apoio social. E a nível de centro de saúde.

Obviamente que existem nerds que deus queira que vão lá fazer investigação e não se metam a fazer clínica. Mas são uma ínfima parte.

Não acho portanto que seja um curso onde os alunos sejam assim humanamente tão diferentes dos restantes. Essa ideia não passa de um preconceito parvo.

Por último, em Portugal, o único país à face da terra onde toda a gente que faz um curso superior é doutor, obviamente que os verdadeiros doutores (no sentido mundial do termo...) são postos num pedastal parvo, não poucas vezes.

Mas isso é a cultura (ou falta desta) do país. Esta tacanhez e pobreza de espírito.

As situações rídiculas que já tive que passar, e ainda só estou há pouco mais de 1º ano nisto, são verdadeiramente de um país subdesenvolvido.

1. Desde ir-se a um banco cancelar uma conta e o empregado ver Medicina à frente de faculdade no débito do pagamento da proprina e...simplesmente não conseguirmos sair de lá. O gerente é chamado. Todo um mundo de novas simpatias e oportunidades se abre de forma tão terceiro mundista que oh irrita...oh como irrita [:vm)]

2. Ou estarmos a apresentar o comprovativo de estudante para se ter desconto no passe e o homenzinho fazer questão de dizer bem alto que está ali um futuro médico, com toda a gente a afastar-se para deixar passar o tal futuro médico.

A mim irrita-me profundamente. Diga-se que fico tremendamente irrascível(1.) [:p] [:)] e embaraçado (2.) :sh)

Outros devem gostar. E sim, pode dar a volta a cabeças e, principalmente, a espíritos pobres.
 
Última edição:
a nota do secundário é arredondada às unidades (ou pelo menos era-o no meu tempo), por isso ter 18.5 ou 19.45 é igual, ficas com 19. depois essa nota é que é calculada com os exames específicos.
o peso de uma disciplina como E.física é reduzido.

A nota final da disciplina é arredondada as unidades mas a nota do secundario é as decimas.

Quando depois se faz a media com a especifica fica arredondado as centesimas.

Todas a disciplinas tem o mesmo valor para a media do secundario, normalmente um aluno tem 10 disciplinas ao longo deste, portanto por cada vlor que ele tenha a uma disciplica isso contribui com 0.1 valores na nota final.

Mudando de assunto, é devido a estas medias de entrada cá que eu para o ano se tudo correr pelo melhor devo entrar em Medecina em Espanha onde apesar de tudo a media já se encontra em 16.2.

Comecei a ter aulas de espanhol e estou inscrito como assistente para melhorar as notas de exames e a media, dado que a minha de 16 não chega nem de perto para entrar cá...
 
Ah o problema que o manuel levantou sobre as notas mínimas de ingresso, mateticamente é inexistente.

Mais, a maioria das faculdades de Medicina exige ou 95 ou 140 quando muito.

Só mesmo a minha e outra qualquer, pedem o 160.

Mas como a pressão é tão alta, nenhum aluno consegue ter média entrando com menos 160 nas específicas. E nem falo de 140.

É uma "limitação virtual".

Quanto ao caso da nova e o entrar exclusivamente com matemática (o que virtualmente proporcionou a pessoal do agrupamento 2 e 3 a entrada no curso, sem terem tido qualquer disciplina de biologia e química no secundário...), a própria faculdade admitiu que errou. Acho que para o ano já não será assim.

E o caso teve uma repercussão maior porque coincidiu num ano em que o exame de matemática teve maior duração (30 minutos) e era nitidamente mais acessível (e as razões para isso perguntem à Dra. Lurdes e aos imperativos bons resultados do plano de recuperação a matemática para o secundário...).

A média subiu 1 valor, por alguma razão, de um ano para o outro.
 
Última edição:
se estudasses mais entravas cá... não há milagres.
nem todas as cadeiras têm o mesmo peso, as disciplinas técnicas valem mais. exemplo, matemática é arredondada dos 3 anos, já técnicas laboratoriais valem uma vez cada ano (contam as notas de todos os anos separadamente).
 
se estudasses mais entravas cá... não há milagres.
nem todas as cadeiras têm o mesmo peso, as disciplinas técnicas valem mais. exemplo, matemática é arredondada dos 3 anos, já técnicas laboratoriais valem uma vez cada ano (contam as notas de todos os anos separadamente).

É verdade e tenho plena consciencia disso, o problema é que dei conta tarde de mais....

As tecnicas laboratorias já não existem, infelizmente.

Entrei penso que no ano a seguir a reforma que acabou com elas e pelo que
sei o pessoal que teve saiu do secundario muito melhor preparado.

Este ano ao adicionar mais 45m as aulas de laboratorio a ministra tentou "consertar" isso, mas simplesmente não resulta, 135m seguidos é demasiado.
 
não interessa o método. o que limita a entrada é o número de vagas. metam 10x mais vagas e vão encher na mesma. assim sendo, este tópico não faz sentido nenhum porque não é verdade que sejam as médias o factor dissuasor da entrada em cursos de medicina.

10x mais vagas? e depois onde metes os alunos a ter aulas? e as aulas práticas? é tudo maravilhoso e fácil quando se está de fora.
 
10x mais vagas? e depois onde metes os alunos a ter aulas? e as aulas práticas? é tudo maravilhoso e fácil quando se está de fora.
não percebeste mesmo o meu post, pois não? onde é que defendo que devia haver 10x mais vagas? lê as coisas com mais calma.
já agora: quando se está de fora? até parece que nem ando na universidade...
 
Continuo, que ter como único critério para admissão a um curso ou outra actividade qualquer, a nota, é uma aberração.

Já aqui disseram que era um mal menor, mas não deixa de ser uma aberração do nosso sistema.

E depois como somos fatalistas por natureza, deixamos a coisa andar porque à falta de melhor, que seja assim.

E nem sequer reparamos que fora deste País, há muitos médicos, excelentes médicos até, que se formaram com distinção por terem condições adequadas. Boas Escolas, Professores, Equipamentos, ....

Mas aqui o importante é terem 19. O resto, se não têm professores que cheguem, se o programa curricular está desajustado, se há faltas de equipamentos, se as instalações estão a cair de podre, se a família tem condições para suportar as despesas inerentes a um curso de Medicina, tudo isso pouco interessa.

Além da vocação natural do aluno...

Tem 20? É pá, tens que ir para medicina. Mas eu gosto mais de animais e gostava de biologia ou veterinária. Deixa-te disso. Os melhores dos melhores têm que ir para medicina....
 
A história das médias também está mal contada. Há um factor que ainda ninguém falou: os exames do secundário têm-se tornado ridiculamente fáceis, e a diferenciação entre um aluno médio e um bom aluno que teve um azar numa prova é mínima.

Em 1993, quando entrei para medicina, concorri com 80 pontos (16,0 valores) de média global - média do 10º-12º, prova de aferição, e específicas de biologia e química, se não me falha a memória. O último a entrar nesse ano teve, salvo erro 74 pontos (14,8 valores). As vagas eram menos. Seríamos assim tão burros na altura em comparação com os alunos de agora? Será que se continuassem os exames com o mesmo grau de dificuldade de então as notas subiriam ou desceriam? Já seria politicamente correcto entrar para medicina com 15 valores?
 
Todos nós, aqui ou ali, já nos confrontámos com esta realidade, a falta de médicos gritante neste nosso Portugal.

Sendo uma das profissões mais importantes na escala de grandeza de qualquer país espanta-me, sobretudo, ver que tantos jovens, que eventualmente até dariam bons médicos, ficam de fora por causa das médias de acesso brutalmente altas, quiçá injustificadamente!

E digo que até pode ser injustificadamente porque vejo que muitos desses alunos, com esforço acrescido (deles e dos pais), se deslocam aos outros países e onde têm acesso ao valioso curso com médias menos altas, ainda assim (e corrijam-me se estiver errado), para regressarem a este país ingrato e terem a equivalência ao 10 mesmo que lá fora tenham tirado 20... [8b]

Pessoalmente acho mais uma daquelas coisas que não faz sentido na organização deste país, designadamente e porque acabamos por receber médicos de tantos outros países onde o grau de exigência, embora existindo, não enfatiza exageradamente a questão média de acesso, dando valor a outros aspectos provavelmente mais úteis à qualidade que se pretende num técnico desta área, como o é um médico!

E isto é o que eu acho, sem conhecer os "meandros da coisa", mas, e por isso mesmo, aqui lançava mais este debate para enriquecer com as experiências, ou opiniões, de quem tenha ideias definidas sobre este tema!


Faz-me rir este pessoal que se queixa que as médias são muito altas!!
Entao mas quem faz as médias não são os alunos??
Tivessem todos más notas a ver se não tinhamos médicos tb.
 
Faz-me rir este pessoal que se queixa que as médias são muito altas!!
Entao mas quem faz as médias não são os alunos??
Tivessem todos más notas a ver se não tinhamos médicos tb.
Não, não é de todo para rir, sobretudo das opiniões dos outros...

É mesmo para reflectir conjuntamente sobre se este é, ou não, o melhor método!
 
mas é obvio que é o melhor método!!
Quem mais se esforçou durante todos os anos de estudo, vê o seu esforço (melhores notas) compensado na altura de acesso ao ensino superior.
Se alguém não consegue entrar num determinado curso só tem de se queixar com ele próprio, pois se tivesse melhores notas que os outros tinha conseguido.

Se este não é o método mais justo qual será então?
 
Mas aqui o importante é terem 19. O resto, se não têm professores que cheguem, se o programa curricular está desajustado, se há faltas de equipamentos, se as instalações estão a cair de podre, se a família tem condições para suportar as despesas inerentes a um curso de Medicina, tudo isso pouco interessa.

Claro que pouco interessa. Se passados 5 anos de acabar o curso começa-se a ganhar dinheiro sem grandes problemas, qual é o mal? Até se pode pedir empréstimo que não há crise.
 
Então deveríamos optar pelo mesmo diapasão pelo Engº que participa na concepção e produção de uma ponte onde passam diariamente 90,000 gajos e que até entrou com média negativa. [;)]

Só que o engenheiro que entrou com nota negativa e acabou o curso com 14 matrículas nunca irá assinar um termo de responsabilidade. [:D]

É que os erros dos médicos enterram-se e os erros dos engenheiros ficam expostos para toda a gente ver! [:D]
 
Pessoalmente acho que, e isto a nível geral, devia ser criado um novo contingente para não repetentes, com um valor de pelo menos 40% das vagas.

É que uma coisa é entrares com 19 sem nunca perder 1ano, outra é entrares com 19 apos repetires os exames nacionais várias vezes, que só serve para inflacionar a nota, e deixando de fora pessoal com 18.5 à primeira, que embora com nota mais baixa, até podiam ter entrado logo.

Quem consegue à 1º devia ter vantagens, é que o pessoal que fica a repetir cadeiras, só serve para inflacionarem as notas, fazendo outros também terem que o fazer, tipo bola de neve.
 
Sobrinho Simões dixit: "somos pobres, periféricos e um bocadinho patetas" ; "somos um país com falta de visão" a propósito da falta de vagas em Medicina e do estatuto dos alunos que estudam medicina em universidades europeias e que regressam ao seu país após conclusão do curso.
 
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