As teorias da gestão dos últimos 30 anos para aí apontam muito para a eficiência máxima permanente e nesse sentido qualquer dinheiro parado é um desperdício. Mas o que se está a ver desde sempre é que as empresas que trabalham sempre assim à pele têm a médio e longo prazo índices de sinistralidade mais elevados. A gestão moderna está de certo modo a re-aprender aquilo que muitos já sabiam há séculos que é que muitas vezes o que resulta no curto/médio prazo não resulta no longo prazo.
Um exemplo bom disso é o que está a acontecer agora com o Covid-19 e a China. Um guru da gestão enche a boca ao dizer que a criação de riqueza intangível deve ficar toda no ocidente mas que a produção industrial deve ir toda para a China, Vietname etc porque é ineficiente produzir cá. E realmente no curto prazo é ineficiente. Mas depois vai-se a ver as coisas e verifica-se que no longo prazo já não é bem assim. A opção menos eficiente pode ser a que garante mais longevidade.
É claro que tudo isto tem que ser com conta peso e medida mas à pergunta se devem as empresas ter poupança dizer "não" está objectivamente errado.
O que estás a referir não são bem teorias de gestão, é mais análise de equilíbrio financeiro. Não me parece que exista uma abordagem moderna ou antiga pois a decisão depende da forma como o decisor avalia o risco...
Além disso estás a confundir um pouco empresa com detentor de capital ( o que é compreensível se estiveres a pensar em PMEs), a empresa não é uma pessoa com necessidades de sobrevivência ou vontade própria, a empresa é uma ferramenta geradora de capital e se o accionista quiser fechá-la: fecha e acabou ( não devemos ter pena por mais que isto seja um sentimento humano...)
Regra geral, os analistas ( nas pequenas empresas os contabilistas se souberem...) , analisam alguns rácios de liquidez da empresa contexto e sector de actividade, tipo de empresa e sugerem estratégias de aplicação dos fundos quando os rácios são muito bons. ( o que fazer com o dinheiro "a mais"? ).
Depois a partir daí depende da vontade do dono (accionista ou gestor mandatado) e não existe existe um caminho certo ou errado visto que não estamos na cabeça perversa do dono do capital.
Da minha experiência, observo que se nas grandes empresas (e médias também que respondem a accionistas) se tiveres muito "dinheiro parado" os alarmes começam logo a soar e levas logo com controllers que não te vão largar a bota porque na maioria dos casos ( salvas excepções) : é indício de que empresa está a perder mesmo rentabilidade ( e é verdade) . Nesse caso , quer estejas errado ou não: não interessa muito pois o gestor está lá para fazer para cumprir o que o accionista quer e geralmente, é dinheiro fora da empresa por um motivo simples:
Deixar muito dinheiro parado numa empresa é reduzir o risco
desta empresa ( risco de ter problemas com credores) e
aumentar o risco do accionista ( de ficar a arder com eventuais dividendos se a coisa der para o torto nos anos seguintes). A ideia de base em qualquer negócio
é repartir o risco entre accionistas, bancos e credores ( isso não é novidade para ninguém, acho).
A outra parte do teu post ( deslocalização) é estratégia empresarial. Não sendo mentira, não percebo bem a relação com o tema e porque apontas sendo um bom exemplo. O capital investe-se no lugar em que ele dá mais retorno em conformidade com a vontade do dono do capital.
Nem todos os negócios são de longo prazo...