rca33
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Em Maio do ano passado fiquei precisamente como tu. So pensava no suicídio, isolei-me de toda gente ( familia, amigos, conhecidos ), chegando ao ponto de estar 24H por dia em casa deitado na cama, onde inclusive muitos dos dias nem da higiéne tratava.
Em Agosto ( dia da final da supertaça entre o FCP/SLB) quase consumei o acto, tendo estado em cima de uma ponte para tal, e tendo aí reflectido se quereria mesmo abandonar " tudo e todos".
Vim embora, e ao outro dia fui a casa de um irmão onde desabafei tudo. Logo ali senti um enorme alívio e depois com a ajuda de especialistas, da familia e dos amigos e tudo se alterou felizmente.
Passado exactamente 1 ano desde o início, hoje afirmo que se o tenho feito naquela noite, teria sido o meu maior erro. Hoje sou feliz de novo e a sensação que tenho, é que após tudo aquilo comecei a dar outro/mais valor á vida, e que acima de tudo, amo ainda mais a minha família e os meus amigos!
Por isso o conselho que te dou, é que penses bem e acima de tudo pensa nos que vão sofrer com o teu possivel acto irreflectido.
Confesso que é bastante assustador este tipo de relato na perspectiva da proximidade com a realização de algo como o suicídio.
Não posso dizer que alguma vez tenha equacionado essa hipótese (felizmente), mas momentos mais duros em que fiquei sem saber o que fazer, sem ânimo para nada e a achar que tudo parecia estar nos eixos em termos das suas vidas menos eu é foi algo que já senti por algumas vezes no passado.
De todas as vezes que isso aconteceu, o período difícil apenas antecedeu períodos bons ou muito bons, colocando sempre tudo em perspectiva.
Esses períodos difíceis podem ser fruto de uma ou várias coisas com impacto negativo que nos atingem num dado momento, mas é importante irmos procurando as nossas próprias defesas para isso.
Isso varia de pessoa para pessoa, mas procurar hobby's que nos mantenham a cabeça ocupada é algo excelente, tal como é o desporto (para quem o consiga apreciar).
Sobretudo, o que é necessário é desviarmos a nossa mente das coisas que nos deprimam mais.
Hoje, já com uns quantos cabelos brancos verifico com frequência que as pessoas vão tentando encontrar a sua forma de "escape".
Para uns o escrever pode ser terapêutico, para outros pode ser uma qualquer outra forma de arte ou expressão.
Para outros o andar de mota ou "atacar" uma estrada de serra com o carro é a solução, como para muitos o exercício físico em si se torna a melhor terapia, não esquecendo também os que procuram na fé (nas suas diversas formas) a ajuda.
Parece-me que o princípio é sempre algo semelhante, e é o desviar de pensamento das coisas que nos deprimem em dado momento.
A pessoa que está a correr por desporto, ou a conduzir o carro de forma mais "enérgica" não consegue ficar concentrado no que o aborrece, e depois do corpo descarregar um bocado dessa adrenalina (seja até no desporto), a mente consegue descansar com mais facilidade, até obrigada pelo corpo.
O cansaço mental de um pensamento repetido vezes sem conta em torno de um problema tira facilmente o sono (ou gera um mau dormir e um mau dia seguinte), enquanto o cansaço físico facilmente obriga a que corpo e mente descansem.
Não deste aqui dados suficientes para se perceber o problema de forma mais exacta, mas não há problemas sem solução, e especialmente não devemos sequer pensar em desperdiçar a vida, quando há tantas pessoas que queriam ter mais tempo e sabem efectivamente que não o têm.
O primeiro passo para resolver um problema é admiti-lo (o que já fizeste), e o próximo é identifica-lo.
Estou certo que para além das linhas que aí foram colocadas, haverá aqui bastante gente pronta a ajudar.
Tem força que as coisas serão sempre a melhorar.
