Por acaso nunca vi ninguém a tratar um médico por senhor fulano... excepto eu! Por acaso, sempre desde miudo me recusei a pés juntos a tratar um médico por doutor. Quando a minha mãe ia comigo a uma consulta, dava-me sempre um sermão e às vezes até pedia desculpa ao médico por eu não o tratar por doutor... Actualmente a minha própria (futura) mulher faz o mesmo, dá-me sermões por eu não tratar o médico por doutor... Até hoje nunca nenhum médico me chamou à atenção por isto, mas se um dia algum o fizer eu vou exigir ao médico que me trate por sr. engenheiro (e eu detesto que me tratem assim).
Quando alguém te pedir um trabalho como engenheiro, até poderás exigir ser tratado como tal no decurso desse trabalho, porque estás a desempenhar a tua profissão.
O que tu não percebeste (e, pelos vistos, não por falta de avisos) é que quando recorres a um serviço de saúde, não és tu que estás a prestar um serviço, mas alguém é que está a prestar-to.
O profissional de saúde não está a tratar o senhor engenheiro. Está a tratar o senhor Darkman.
Contudo, o senhor Darkman está a ser tratado pelo doutor e pelo senhor enfermeiro.
Mais, na maioria dos casos, o senhor Darkman não sabe o nome do profissional que o está a tratar.
Logo, é inevitável que por uma questão de facilidade de comunicação, te dirijas nos termos que são compreensíveis (e aceites...), aqui, em Espanha, na Suécia, na América, na China ou na Guiné.
Não é muito difícil perceber que os papéis não são os mesmos e que as coisas são assim por alguma razão.
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