Mas isso do ficar descalço ou não é um conceito indeterminado e que dava pano para mangas no tópico da poupança.
No fundo é saber o que se considera caber dentro do “ficar descalço”.
Eu diria que, no mundo ideal, tendo poupanças de 50k, estou disponível para dar 15k de entrada do meu lado.
Esse parece-me ser um bom equilíbrio, mas lá está, eu não atribuído um peso enorme a ter uma casa minha, ou pelo menos para já. E a prova disso é que gostava que a renda do empréstimo andasse nos 10-15% de rendimento do agregado , para não viver (apenas) para a casa e despesas inerentes.
Pois, e por isto mesmo é que não deverás conseguir comprar casa... O que tu queres é praticamente impossível salvo sejas um gajo que faz remotes para os USA e ganhes cá +80k ano, e ela também tenha um bom salário, e compres uma casa fraca, dado seres LX.
Mas a tua situação é como a minha, temos salários medianos, a tender para o baixos (1500€) liq e vimos habituados de boas casas dos pais, e procuramos algo bom sem sacrificar demasiado taxa de esforço.
Eu comprei a minha o ano passado e após as obras que lhe fiz, acredito que a venderia com margem de +75%, é um dos melhores apartamentos da cidade, e mal seria de não achasse que tivesse feito um óptimo negócio.
Comprei com o pressuposto de viver lá uns aninhos e flipar, após construir uma moradia T4 em terreno já existente e na minha posse, mas acho que ela gosta mais de ouvir vizinhos e elevadores que passarinhos de manhã. Já eu, há pouco tempo lá, já estou bem farto de viver em apartamento e avançava o quanto antes para a moradia. No fundo, estou à espera que a construção simplifiqu€ para avançar projeto.
Na altura a mulher queria taxa fixa e hoje em dia, acredito que devia ter optado, ainda que com o esforço adicional da entrada de 20%, que à data recusei com todas as letras.
A solução do meio termo, amortizar parte do capital, envolve eu ficar com dois créditos, o CH e o crédito familiar em que não vejo nenhuma vantagem real, porque continuo a pagar imenso juro, ter seguros pornográficos, e tenho a saúde mental de ter 2 dívidas.
O que me causa aqui alguma comichão é o facto de alguém, profissionalmente estável eternamente, com boa segurança familiar, avessa ao risco e nada ambiciosa, não querer sacrificar o valor de poupanças e não se importar de pagar + 600€ de juro todos os meses. Não me faz sentido simplesmente, é matematicamente errado, é prejudicial.
No fundo, sinto que estou a ser prejudicado a nível de crescimento financeiro por alguém que teve uma educação financeira aquém do esperado para o nível familiar. Não me faz sentido que eu fique mais pobre 300€ por mês por uma decisão emocional.
Sempre que encontro estes casos, são profissionais e acabo por escalar o tema ao superior e ou aceita ou é despedido. Aqui não é tão simples porque ela não reage bem a folhas de Excel.