A TAP tem capitais próprios negativos no valor de cerca de 400 milhões de euros, o que significa que os seus activos são inferiores aos seus passivos nesse mesmo montante, o que representa uma falência técnica. Numa avaliação baseada puramente em capitais próprios, a TAP valeria -400 milhões de euros.
O Estado, devido às regras de concorrência da EU, não pode injectar mais dinheiro na TAP. A TAP só tem sobrevivido devido à sua geração de fluxos de caixa, a alguns lucros em determinados anos e a financiamentos bancários e leasings operacionais. Esta situação é, no entanto, insustentável a médio prazo porque os resultados transitados negativos têm vindo a aumentar devido aos prejuízos registados nos últimos anos, diminuindo ainda mais os capitais próprios e tornando quase impossíveis novos investimentos, nomeadamente na renovação da frota.
Se o Efromovich está a oferecer 20 milhões de euros pela TAP, isso significa que está a valorizar a empresa em cerca de pelo menos 420 milhões de euros. Se ainda se compromete a investir 4 mil milhões, a manter o hub em Lisboa e a expandir a empresa pode não ser um óptimo negócio para o Estado mas decerto não é mau. O mais importante para o nosso país é mesmo que o hub da TAP se mantenha em Lisboa e que a empresa cresça, continuando a transportar pessoas e carga para Portugal ou a trazê-las para Lisboa para as transportar para outros destinos. A alternativa a esta venda é a TAP continuar a definhar por falta de capitais próprios, falta de renovação da frota e, no limite, falta de mais financiamento na forma de dívida, até ao seu desaparecimento, como já aconteceu este ano à Spanair e à Malev na Europa.
Na minha opinião, a TAP devia ter sido privatizada há muito mais tempo, principalmente antes de 2008. Decerto que nessa altura haveriam muito mais interessados e o Estado poderia encaixar mais dinheiro. Isso só não foi feito por interesses políticos, como é costume, no nosso país.
Apesar de tudo, o cenário da compra pelo Efromovich parece-me muitíssimo melhor que uma compra pela IAG (BA/IB) em que decerto Lisboa e a TAP ir-se-iam tornar ainda mais secundários nos cenários Europeu e mundial.
Outro aspecto a salientar é que os prejuízos da TAP, sendo uma empresa detida pelo Estado, acrescem ao défice e dívida públicos.