Ultimate Cell - O que acham?

Mais ainda... uma célula daquele tamanho, nunca teria a hipótese de ter electrólito que chegue para realmente conseguir reduzir os consumos nem sequer em 15%, quanto mais a 30% pela duração de 70000km.
 
Vamos lá fazer umas contas rápidas.

Pelas dimensões apresentadas no vídeo que saiu na Euronews, aquilo tem substancialmente menos do que 1L de volume. Se tem menos de 1L de volume e se ainda é preciso o circuito de controlo, os eléctrodos, e acomodação apropriada que não seja corroída pela alta alcalinidade do eléctrodo, sejamos generosos e digamos que estariam lá 0.75L de electrólito.

Ora, se aquilo permite reduções de consumos de 15-30% e se uma carga dá para 70000km, para um carro que, como, por exemplo, um Celica 1.8VVTI que esteja a fazer 8L/100 de consumo combinado, daria então uma redução para 6.8L/100. Ora bem, se a 8L/100 seriam gastos 5600L para fazer os 70000km, quer dizer que, com uma poupança de 15% de combustível, se conseguiria poupar 840L de combustível. Perdão? Poupar 840L de combustível com 0.75L de electrólito que para decompor por electrólise gasta mais energia do que a que produz? E já estou a ser generoso nos 0.75L de electrólito.

Surreal. Vejam bem os números. 840L. Oitocentos e quarenta litros. Por lata e meia de Monster.
 
Eu estive a ler toda a informação lá no site. Não acredito naquilo. Com os conhecimentos de química que tenho, só posso dizer que aquilo é impossível.

Uma das grandes razões, hoje em dia, para o hidrogénio não estar tão difundido, é o facto de ser tão difícil extraí-lo (a outra razão é o facto de ser difícil armazená-lo de forma segura, ao contrário da gasolina que pela simples adição de Octanas se reduz a hipótese de deflagração espontânea).

Não se podem esquecer que é impossível tirar de um sistema mais energia do que aquela que lhe for injectada. O que quer dizer que é impossível, pela queima do hidrogénio, conseguir extrair mais energia do que aquela que foi necessária para a sua obtenção por electrólise.

Para quem não sabe, a electrólise é o processo de, através da aplicação de uma corrente eléctrica, separar os componentes de compostos - no caso específico que estamos a discutir, a electrólise seria para separação do hidrogénio e oxigénio da água. Mas para que haja condução de electricidade, é necessário que a água não seja quimicamente pura, tendo que ter algum tipo de sal, ácido ou base (alcalino) dissolvido na mesma que a torne efectivamente condutora de forma eficiente. O que explica que seja necessário o tal electrólito referido. E quanto mais ácida, ou mais básica a água ficar (agora vai depender da escolha do fabricante e do quão fácil for armazenar a solução), mais condutora é.

Agora o problema é que ao executar-se electrólise, é necessário injectar-lhe energia. Energia essa que vem do alternador e/ou bateria do carro. Se está mais um elemento a puxar no circuito de corrente do carro, então o alternador vai ter que se esforçar mais para alimentar esse elemento. O que quer dizer que vai induzir mais inércia no motor que, por sua vez, terá que gastar mais combustível para produzir toda a energia que lhe é pedida (para mover o carro e para alimentar o alternador). E como há sempre perdas no circuito (os cabos de corrente não são condutores perfeitos e, tendo resistência, têm, por consequência, perdas). Em resumo, acabará sempre por se gastar mais energia com este sistema do que sem o sistema. Reduzir os consumos? Não acredito. Está-se a gastar no tal electrólito e está-se a gastar na energia necessária para alimentar a electrólise. Reduzir as partículas e poluição? Também não me cheira. Só se houver aqui algum paradoxo da química que esteja por explicar, mas, no fim de tudo, o que conta é isto: "é impossível tirar de um sistema mais energia do que aquela que lhe foi injectada".

Para se fazer a electrólise, é preciso gastar energia. E a energia gasta a produzir hidrogénio a partir da água nunca é compensada pela energia obtida pela queima desse hidrogénio. Muito menos tendo em consideração que um motor de combustão interna tem uma eficiência que, na melhor das hipóteses, num motor de ultra-alta-performance, super-afinado e apenas nas suas rotações mais eficientes, tem, com sorte, 30% de eficiência.

Isso, acho que é mais ou menos compreendido pela maioria; a minha principal duvida é isto:
"O hidrogénio produzido vai então funcionar como um catalisador no interior do motor, permitindo uma combustão mais rápida e completa do combustível."
Melhora a eficiência do motor? É possível? Teoricamente será isso que acontece ao adicionarmos hidrogénio ao ar que entra no motor...
Assim já poderia compensar o acréscimo de energia necessária para a electrolise (compensando o aumento o consumo de combustível); ou não?!
Melhorando a eficiência também fará baixar os consumos e diminuir as emissões...
Pergunto eu, que não tenho formação na área!.
 
Estes são os testes espalhados pela net que tentam atestar a veracidade do produto.

Gostei de um desses testes dizer que a 120km/h há uma redução 52% de consumo!!!! [:)]

Ora um Audi A3 1.6 gasolina que consumia a 120km/h 7,05 L/100km passou para 3,34 L/100km é um milagre!

Sendo assim acabem com a instalação GPL, basta uma Ultimate Cell para se poupar.
 
Gostei de um desses testes dizer que a 120km/h há uma redução 52% de consumo!!!! [:)]

Ora um Audi A3 1.6 gasolina que consumia a 120km/h 7,05 L/100km passou para 3,34 L/100km é um milagre!

Sendo assim acabem com a instalação GPL, basta uma Ultimate Cell para se poupar.

Então com 2 caixas dessas deixava de consumir, ou passava a produzir [:)]
 
Epá isto é uma parvoice... [8b]

[h=1]Carros velhos voltam a Lisboa (mas é preciso investir €250)[/h]Um novo redutor de partículas que tem por base a indução de hidrogénio vai permitir aos carros com mais de 15 anos voltarem a circular em Lisboa. A Câmara Municipal já deu luz verde à sua utilização e basta aos proprietários dos veículos preencherem dois formulários.
Um dispositivo inovador de otimização de motores de combustão, que reduz a emissão de gases de escape e diminui o consumo de combustível, vai levar os carros com mais de 15 anos a voltarem a poder circular no centro de Lisboa.
O dispositivo - Ultimate Cell - está testado e aprovado para instalação pelo IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes de Portugal) e comprovada a sua capacidade de redução de gases em cerca de 80% e entre 15% a 30% no que respeita ao consumo de gasolina ou gasóleo, e foi agora reconhecido como redutor de partículas eficaz.
O equipamento, totalmente made in Portugal, tem um custo de venda ao público a rondar os €250 (€199 + IVA + Instalação), mas o período de retorno para um utilizador comum, que faça entre 20 a 25 mil quilómetros por ano, é de três meses. Um seguro de responsabilidade civil geral acompanha cada dispositivo, salvaguardando quaisquer falhas que o sistema inovador possa ter.
Modo de funcionamento
Ao contrário dos filtros de partículas, este dispositivo é colocado antes do motor, e não no tubo de escape, alimenta-se diretamente dos 12 voltes da bateria do automóvel e, graças ao módulo eletrónico nele integrado, liga-se apenas quando o motor se encontra em funcionamento, de forma a evitar consumo desnecessário.

Com o carro a trabalhar, a célula inicia um processo de eletrólise, também controlado eletronicamente, resultando na separação química das moléculas de hidrogénio, misturadas no ar de alimentação do motor.
Trocado por miúdos, isto significa que o dispositivo vai otimizar a queima dos combustíveis, tornando o motor mais eficiente e com menos impacto ambiental. O eletrólito fornecido com a célula permite a um automóvel até 3 mil cm3 pode percorrer 70 mil quilómetros ou cerca de 2 mil horas.


Fonte
 
Alguém na CML vai receber uma boa percentagem dos lucros dessa banha de cobra de certeza... Enfim, corrupcão em Portugal, quem diria?
 
Alguém na CML vai receber uma boa percentagem dos lucros dessa banha de cobra de certeza... Enfim, corrupcão em Portugal, quem diria?

Não estamos a fazer de uma câmara municipal do interior profundo, estamos a falar da principal cidade do país, enfim...
Se fosse uma câmara do interior, estavam a gozar com os atrasadinhos do interior, sendo Lisboa é perfeitamente normal.
 
Isso, acho que é mais ou menos compreendido pela maioria; a minha principal duvida é isto:
"O hidrogénio produzido vai então funcionar como um catalisador no interior do motor, permitindo uma combustão mais rápida e completa do combustível."
Melhora a eficiência do motor? É possível? Teoricamente será isso que acontece ao adicionarmos hidrogénio ao ar que entra no motor...
Assim já poderia compensar o acréscimo de energia necessária para a electrolise (compensando o aumento o consumo de combustível); ou não?!
Melhorando a eficiência também fará baixar os consumos e diminuir as emissões...
Pergunto eu, que não tenho formação na área!.

Não, não é possível. O hidrogénio não é catalisador de nada. É um combustível altamente deflagrável. E mesmo que fosse catalisador, aquela quantidade de hidrogénio, em primeiro lugar, não chegava para a cova de um dente. em segundo lugar, a chegar ao motor sem arder pelo caminho, ao ir pela admissão ar, mal fosse injectado deflagraria espontaneamente só pela temperatura do cilindro. Como gasolina e ar são injectados em simultâneo, isto faria com que a gasolina pegasse também, resultando numa explosão fora de ciclo e todos vocês sabem como isso é destrutor para o motor.
 
Não, não é possível. O hidrogénio não é catalisador de nada. É um combustível altamente deflagrável. E mesmo que fosse catalisador, aquela quantidade de hidrogénio, em primeiro lugar, não chegava para a cova de um dente. em segundo lugar, a chegar ao motor sem arder pelo caminho, ao ir pela admissão ar, mal fosse injectado deflagraria espontaneamente só pela temperatura do cilindro. Como gasolina e ar são injectados em simultâneo, isto faria com que a gasolina pegasse também, resultando numa explosão fora de ciclo e todos vocês sabem como isso é destrutor para o motor.

Acho que te estou a perceber...
Ou seja: ao injectar hidrogénio no motor, este seria logo "queimado" (fora do tempo) e não melhoraria em nada a eficiência do motor (até a pioria); é isso?
O hidrogénio teria que levar algo semelhante às octanas da gasolina para não detonar antes do tempo (o tal "catalisador"); é possível?
Depois há questão da quantidade do hidrogénio...


Eu não percebo muito do assunto e só acho estranho que, se isto é assim tão descabido, um professor conceituado tenha vindo a publico falar nisto, o ISQ, dê na Euronews, etc, etc...

Se não há mesmo hipótese de isto ter alguma melhoria na eficiência do motor, já deveria ter aparecido algum especialista/organismo a tirar "a prova dos nove" e a acabar com isto!!
 
Não, não é possível. O hidrogénio não é catalisador de nada. É um combustível altamente deflagrável. E mesmo que fosse catalisador, aquela quantidade de hidrogénio, em primeiro lugar, não chegava para a cova de um dente. em segundo lugar, a chegar ao motor sem arder pelo caminho, ao ir pela admissão ar, mal fosse injectado deflagraria espontaneamente só pela temperatura do cilindro. Como gasolina e ar são injectados em simultâneo, isto faria com que a gasolina pegasse também, resultando numa explosão fora de ciclo e todos vocês sabem como isso é destrutor para o motor.


Só queria esclarecer que a célula de hidrogénio na verdade não produz hidrogénio puro e limpo (H), mas na verdade produz oxihidrogénio (HHO).

Oxyhydrogen - Wikipedia, the free encyclopedia
 
E isso que dizer o quê?
O que o Joaommp disse já não se aplica (ou o resultado é diferente)?!


Para ser sincero, não sei dar uma resposta concreta. Pois, também são temas que fogem um pouco aos meus conhecimentos pessoais.

No entanto, julgo tendo em conta também o que está na wikipédia. O oxihidrogénio terá um comportamento diferente do hidrogénio que confesso não fui confirmar qual é.

Pretendi só trazer mais um dado para o debate.
 
Como já foi referido , esta fraude é simples de fazer:

1º) faço o ensaio antes com o carro todo marado desafinado para cgar monoxidos com fartura e dá X.

2º) Instalo o dispositivo, afino bem o motor, sistema de exaustão, escape etc.

3º) volto a fazer o ensaio e dá-se o milagre.

Simples.

NOTA: As entidades que executaram os ensaios não acompanharam o procedimento de montagem do dispositivo pelo que as hipóteses de manipulação ou fraude são enormes.

Os medidores limitam-se a medir. Se acusam menos CO é pq é verdade. Resta saber o que aconteceu ao carro no intervalo de tempo entre o primeiro ensaio e o segundo.
 
Last edited:
Para ser sincero, não sei dar uma resposta concreta. Pois, também são temas que fogem um pouco aos meus conhecimentos pessoais.

No entanto, julgo tendo em conta também o que está na wikipédia. O oxihidrogénio terá um comportamento diferente do hidrogénio que confesso não fui confirmar qual é.

Pretendi só trazer mais um dado para o debate.


Oxi-hidrogénio é.... bullshit... (não estou a dizer mal de ti, apenas do conceito). Aliás basta ir ao teu próprio link da wikipedia e ler o capítulo intitulado "fringe science and fraud". Oxi-hidrogénio é um nome bonito para uma mistura de oxigénio e hidrogénio na proporção de 2:1 tal como resulta da electrólise de água. Não é nada do outro mundo nem com características especiais. Ainda menos especial fica quando é adicionado a uma mistura de combustível com ar num cilindro.

Já agora, só para corrigir, o hidrogénio não vai criar detonação antes do tempo no motor. A temperatura de auto-ignição é muito superior à da gasolina. Mais depressa detona a gasolina que o hidrogénio em si. Por isso não haveria problema por esse lado.

No entanto as quantidades de hidrogénio e oxigénio geradas serão de tal forma minúsculas que não terão qualquer impacto na combustão. E quanto a actuar como catalizador, não entendo que isso significa... catalizar o quê? Que reacção é suposto ser acelerada pelo processo? Especialmente porque depois da explosão do cilindro deixa de haver qualquer hidrogénio lá... vira tudo vapor de água!

Enfim, até que eu veja provas em contrário, isto é treta. E até agora só vi muito fumo para os olhos e nenhuma prova. É triste que hajam entidades oficiais metidas ao barulho incluindo a CML a quem eu pago impostos.
 
Acho que te estou a perceber...
Ou seja: ao injectar hidrogénio no motor, este seria logo "queimado" (fora do tempo) e não melhoraria em nada a eficiência do motor (até a pioria); é isso?
O hidrogénio teria que levar algo semelhante às octanas da gasolina para não detonar antes do tempo (o tal "catalisador"); é possível?
Depois há questão da quantidade do hidrogénio...

Eu não percebo muito do assunto e só acho estranho que, se isto é assim tão descabido, um professor conceituado tenha vindo a publico falar nisto, o ISQ, dê na Euronews, etc, etc...

Se não há mesmo hipótese de isto ter alguma melhoria na eficiência do motor, já deveria ter aparecido algum especialista/organismo a tirar "a prova dos nove" e a acabar com isto!!

ASAS: Obviamente que, para um professor "conceituado" ter falado, é porque tem algo a ganhar. Para além do mais, se olharem bem para a entrevista, hão-de reparar que o mesmo está a ser entrevistado nas instalações onde é produzida a célula. Não no seu próprio gabinete na faculdade ou instalações não relacionadas com a fabricante deste produto, o que quer dizer que ele tem livre acesso às instalações e não será, obviamente, como um simples terceiro a avaliar um produto que em nada lhe está relacionado. E não, as octanas não são um catalisador. Um catalisador é algo que favorece a ocorrência de uma reacção. As octanas são o contrário. As octanas dificultam a ocorrência de uma reacção para evitar deflagrações espontâneas - razão pela qual a gasolina 98 permite maiores desempenhos, tudo por permitir taxas de compressão maiores no motor ao ter um maior índice de octanas. Ou seja, as octanas são, na realidade, um agente estabilizador. E, ao contrário da gasolina, o hidrogénio não pode levar tão facilmente nada que impeça a sua deflagração. Está na natureza do hidrogénio. Até porque, se pensares bem, à temperatura ambiente, o hidrogénio é um gás, mas a gasolina não. Hidrogénio em quantidades suficientes para poder ser usado num motor é difícil de armazenar. Ou se armazena em pressão e é necessário arrefecimento e botijas especiais, bem como blindagem adicional para acidentes não o fazerem explodir, ou se recorre a outros meios de armazenamento, como, por exemplo, o armazenamento em compostos que funcionam sob um princípio semelhante às esponjas. No entanto, e apesar de estes compostos conseguirem mantê-lo estável, na altura em que é necessário usar o hidrogénio, é necessário aquecer o composto para o gás ser libertado. E, aí, tem-se mais uma potencial fonte de problemas e necessidades elevadas de manutenção. Têm, ainda por cima, um desgaste muito maior que uma pilha de lítio.

[A título de curiosidade, o hidrogénio é, na realidade, um metal em estado gasoso, algo que confirmam pela tabela periódica, sendo que a única propriedade que não partilha com os restantes elementos da primeira coluna é a sua reactividade com a água. Em primeiro lugar, a água é composta por hidrogénio, em segundo lugar, quanto mais no topo dessa coluna, menor é a reactividade e a violência da sua reacção. Aliás, a reactividade do hidrogénio com a água dá-se de forma tipicamente sem efeitos secundários visíveis a olho nú e em situações especiais como, precisamente, na criação de electrólitos, quando há variação do ião H3O+ (o valor de pH é, na realidade, uma função logarítmica inversa da concentração deste ião numa solução aquosa). Quanto maior a concentração de H3O+, mais baixo é o pH e mais ácida é a solução. Quanto menor a concentração de H3O+, mais alto é o pH e, por conseguinte, mais alcalina. Um exemplo de excepção ao "tipicamente sem efeitos secundários visíveis a olho nú": a dissolução de ácido sulfúrico em água é altamente exotérmica por causa justamente da formação das ligações de H+ com H2O, gerando H3O+, dado que o ácido sulfúrico é altamente hidrófilo. Por este motivo é que também se junta sempre ácido à água e nunca água ao ácido. Juntando água ao ácido dá-se uma reacção altamente exotérmica que na melhor das hipóteses causa a vaporização do ácido e na pior uma explosão. Quando se adiciona água destilada a uma bateria, apesar de ser ácido sulfúrico que ela contém, é numa concentração substancialmente mais baixa do que aquela que poderia causar este tipo de efeitos de forma notória.]


Só queria esclarecer que a célula de hidrogénio na verdade não produz hidrogénio puro e limpo (H), mas na verdade produz oxihidrogénio (HHO).

Oxyhydrogen - Wikipedia, the free encyclopedia

nferrari: acho que não prestaste bem atenção ao artigo:

"Brown's gas[4] and HHO are fringe science terms for a 2:1 mixture of oxyhydrogen; its proponents claim that it has special properties."

"Fringe science" AKA ciência de X-Files, aka má ciência.

Não, não existe "HHO". O que existe, e o que sai desta célula, é uma mistura de dois gases: H2 e O2. Que é o que acontece em qualquer equipamento de electrólise. E porquê? Eu passo a explicar. A água é H2O. Ao ser separada por electrólise vai libertar iões H^+ e iões O^2-. Daí a água ser H2O e, para cada átomo de oxigénio, haver 2 de hidrogénio. São os 2- do O com os dois 1+ do H.
Durante o processo de electrólise, o O^2- perde os dois electrões a mais que lhe dão essa carga negativa e dá-os ao H^+ resultando em átomos completos de hidrogénio e oxigénio. No entanto, nenhum deles é estável o suficiente para conseguir existir na natureza em forma mono-atómica. Por conseguinte vão instantaneamente formar ligações estáveis H2 e O2. Não sendo solúveis em água, vão ser ejectados da mesma (formando as bolhas que se vê). Num dos eléctrodos vai-se formar H2, no outro vai-se formar O2. E serão expelidos para a superfície nas tais bolhas. Só que para se obter estes dois elementos separados é preciso um aparelho de electrólise selectiva, ou seja, um que permita que os gases não se misturem à saída. Como podem ver no filme, este aparelho tem apenas uma saída, pelo que os gases vão ser obrigatoriamente misturados. Não há nenhuma ciência de especial nisto. Há apenas uma mistura gasosa na proporção de 2 para 1 por haver, na água, dois átomos de hidrogénio para cada um de oxigénio.
Também o ar que respiramos é uma proporção entre hidrogénio, oxigénio, nitrogénio, dióxido de carbono. Mais concretamente, 78% de nitrogénio, 21% de oxigénio e 1% dos restantes gases (hidrogénio, dióxido de carbono, hélio, árgon, néon e por aí fora). E não temos nenhum produto especial chamado NNNNO. É simplesmente o nosso ar.

E o que sai daquela célula do "ultimate cell" não é mais nada do que a mesma mistura de hidrogénio e oxigénio gasosos que sai de qualquer aparelho de electrólise. E, como qualquer engenheiro químico, qualquer químico, físico, professor de alguma destas cadeiras, qualquer pessoa que tenha tido fisico-química entre o 7º ano e o 12º e ainda se lembre da matéria te dirá, não, não é possível conseguir extrair dessa mistura de hidrogénio e oxigénio mais energia do que a que é necessário injectar para realizar a electrólise. É uma questão dos princípios de conservação de matéria e princípios de conservação de energia:
- "A quantidade total de matéria num sistema fechado não varia com o tempo" (Lavoisier)
- "A quantidade total de energia num sistema fechado não varia com o tempo" (Leibniz, Joule) - vide "Primeira lei da termodinâmica".

Portanto, tirem o "HHO" da cabeça. O "HHO" é outra tão descabida quanto todos os sistemas de fusão a frio que apareceram até hoje: basicamente, fraudes. O que sai, na realidade, é a mistura típica de H2 e O2. Chama-lhe o que quiseres. Mas não há magia aí nem nada que já não tenha sido explorado por centenas de milhares de pessoas.

Mais, do mesmo artigo que tu citaste:
"Oxyhydrogen will combust when brought to its autoignition temperature. For the stoichiometric mixture, 2:1 hydrogen: oxygen, at normal atmospheric pressure, autoignition occurs at about 570 °C (1065 °F)"

O interior do motor bem que atinge essa temperatura. A temperatura que tu vês quando ligas o OBDII, que idealmente, para um motor a gasolina será de 89ºC, é a do líquido de refrigeração, não do interior do shortblock ou das velas. Para além disso, repara na expressão "at normal atmospheric pressure". Dentro de um motor, se vocês sabem bem a teoria, há quatro tempos, e um deles é a compressão. O interior de um cilindro só está à pressão atmosférica normal (1atm) no fim da aspiração, que é imediatamente seguida pela compressão. Durante a compressão, a pressão varia para até 17 vezes mais, dependendo do motor. O que quer também dizer que a temperatura necessária para auto-deflagrar diminui de forma e inversamente proporcional. Ainda antes de a compressão estar no seu pico (altura em que se dá a faísca num motor a gasolina) já a pressão no interior do cilindro aumentou substancialmente. Num motor a gasolina normal, em que a taxa de compressão andaria à volta de 10:1, quando o cilindro vai a meio, já a pressão é 5 vezes a pressão atmosférica. O que quer dizer que a temperatura necessária para o hidrogénio deflagrar espontaneamente teria descido de 570º para 114º, algo perfeitamente realista. Resultado? Se o hidrogénio estivesse em concentração que fizesse diferença na combustão do motor, também estaria em concentração suficiente para, a estas temperaturas e pressões, deflagrar espontaneamente antes do fim do ciclo de compressão. Ao deflagrar, incendiaria também a gasolina, explodindo antes de tempo. Com isto, a explosão, dessincronizada iria causar danos no motor. Na melhor das hipóteses, iria causando desgaste e esforço no veio. (Ver pré-ignição e engine knock).

Daí ser tão importante o uso de octanas, para reduzir depósitos, aumentar a compressão e evitar explosões antes de tempo. O hidrogénio, a estar em quantidades para ter algum impacto na combustão, também estaria em quantidades suficientes para desfazer as vantagens trazidas pelas octanas. Diria mesmo, se o hidrogénio estivesse em concentração suficiente, não havia dose de octanas que pudessem acrescentar à gasolina para evitar os efeitos nefastos da presença de oxigénio.
 
Last edited:
(...)


Eu não percebo muito do assunto e só acho estranho que, se isto é assim tão descabido, um professor conceituado tenha vindo a publico falar nisto, o ISQ, dê na Euronews, etc, etc...

Se não há mesmo hipótese de isto ter alguma melhoria na eficiência do motor, já deveria ter aparecido algum especialista/organismo a tirar "a prova dos nove" e a acabar com isto!!


Qual é mesmo a questão? Os gajos da Geteasy também não andavam aí nas bocas do mundo e não tinham caras conhecidas lá pelo meio a garantir que era tudo legit?
 
Já agora, só para corrigir, o hidrogénio não vai criar detonação antes do tempo no motor. A temperatura de auto-ignição é muito superior à da gasolina. Mais depressa detona a gasolina que o hidrogénio em si. Por isso não haveria problema por esse lado.

ppais, vê a explicação no meu post anterior. À temperatura e pressão normais, a gasolina pura (sem octanas) sim, tem uma temperatura de auto-deflagração menor que a do hidrogénio. No entanto, com a adição de octanas, isso inverte-se. Caso contrário, também a gasolina explodiria muito antes de tempo dentro do motor muito mais frequentemente do que aconteceria num simples desafino. Tudo o resto que disseste é o mesmo que eu acabei de escrever enquanto puseste o teu post.
 
Last edited:
nferrari: acho que não prestaste bem atenção ao artigo:

"Brown's gas[4] and HHO are fringe science terms for a 2:1 mixture of oxyhydrogen; its proponents claim that it has special properties."

"Fringe science" AKA ciência de X-Files, aka má ciência.

Sim, eu li sem passar pelo devido crivo e acho que li isso sem ligar ao que estava a ler. No entanto, também faz da minha maneira de estar questionar tudo, colocando sempre todas as hipóteses em cima da mesa.

Li a tua explicação e parece-me bastante plausível.

Sim, de facto eu tive na faculdade alguma formação em Termodinâmica (Física II) e de Química (Química I). Em Física II abordamos alguns ciclos termodinâmicos como o ciclo de Otto e o muito curioso para mim ciclo de Sterling. E claro também os fundamentos da química em Química I. Apesar de dizer que são temas que não me são desconhecidos, longe de os ter no meu domínio actualmente.

Mas confesso que para mim esta coisa da Ultimate Cell sempre me fez um pouco de confusão, pois como a maneira como era feita a exposição do negócio fazia-me lembrar um pouco as televendas. Muito baseado em testemunhos e pouca explicação credível do funcionamento do produto.

E acrescento que mesmo o HHO, estava-me a dizer que alguma coisa não estava bem com aquilo. [:D]
 
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