Referendo sobre o Aborto - Saiu hoje a legislação

Desculpa lá, ou sou eu que não me faço entender ou és tu que não queres entender.
Para o caso da violação o aborto não é punível, certo? Mas a contradição está quando o Movimento pelo Não defende a vida intra-uterina. Então são pela vida ou não são?

Isso é totalmente acessório para a discussão em causa.
Mesmo defendendo, só querem com o Não, que essa vida não fique ainda mais desprotegida.
Ou perderam esse direito?
 
Última edição:
Para que haja honestidade intelectual.

Primeiro, defende a despenalização da mulher quando esta abortar na sequência de uma violação, como mais um argumento a favor do Sim neste referendo.
Esclarecimento (aliás, já dado): é já permitido à mulher, o aborto nesta e noutras situações. Informe-se.

Segundo, insurge-se quanto à impunidade de quem realiza ou auxilia os abortos clandestinos que se fazem, em oposição à penalização da mulher. Afirma até que tais indivíduos não são punidos por lei.
Esclarecimento: Como é óbvio, o que acontece é exactamente o contrário. São punidos e, ao invés das mulheres que sofrem os abortos, costumam ser condenados. De novo, informe-se.

Uma simples reflexão. Não julga útil informar-se do que diz ou escreve antes de o realizar? É certamente mais agradável para quem lê, depois, estas enormidades. Se a tal não almejar, ao menos que aprenda a assumir a ignorância que demonstrou...


Veja lá se a informação é suficiente:

Razões para votar sim:
1) Porque é imperativo minimalizar o aborto que põe em risco a vida, a saúde e a dignidade da mulher;
2) Porque a prisão não é solução. As mulheres que, por vontade própria, interrompam a gravidez nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, não devem ser punidas, nem levadas a tribunal;
3) Porque a lei em vigor é ineficaz, não impede nenhuma interrupção voluntária da gravidez;
4) Porque o problema da interrupção voluntária da gravidez deve ser tratado pelo sistema de saúde e não pelos sistemas policial e judicial.

Considera estes dados informativos como ignorância minha, ou podemos partilhar ignorâncias?
 
Apoio, tal qual Frei Bento Domingues, a vontade plena pelo uso da consciência liberta.

E a consciência não é colectiva...

E essa mesma consciência é o bem maior, supremo, que realmente concretiza a pessoa, para lá do ser humano, da forma de vida e de outros imaginários entes sobrenaturais.

Quando alguma tipificação sócio-ideológica tenta restringir o pleno usofruto da consciência individual sobre a própria pessoa (e numa grávida, como constata o teólogo e filósofo Anselmo Borges, só existe uma pessoa: a mãe...) a interface do indefínivel totalitarismo kafkiano emerge até à concreticidade.

E a concreticidade aqui emergente é óbvia: aqueles que pretendem impôr a TODOS (e não somente a eles próprios!) um «modo de usar» da consciência.

A isso, NUNCA.

Ao referendo do dia 11 SIM.
 
Veja lá se a informação é suficiente:

Razões para votar sim:
1) Porque é imperativo minimalizar o aborto que põe em risco a vida, a saúde e a dignidade da mulher;
2) Porque a prisão não é solução. As mulheres que, por vontade própria, interrompam a gravidez nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, não devem ser punidas, nem levadas a tribunal;
3) Porque a lei em vigor é ineficaz, não impede nenhuma interrupção voluntária da gravidez;
4) Porque o problema da interrupção voluntária da gravidez deve ser tratado pelo sistema de saúde e não pelos sistemas policial e judicial.

Considera estes dados informativos como ignorância minha, ou podemos partilhar ignorâncias?

Tem pouca humildade, o que é péssimo princípio. Quem usa de arrogância sem conhecimento arrisca o ridículo.

Passemos ao que chama dados informativos, mas que não passam de convicções suas, algumas muito pouco fundamentadas.

Primeiro ponto. Pretendia dizer, certamente, que interessa MINIMIZAR o aborto realizado sem condições. Muito bem. Eu vou mais além. Interessa minimizar o aborto. Ponto final. Não se resolve um mal da nossa sociedade, liberalizando-o. A dignidade e o direito à vida do filho terão que ser ponderados face à saúde e dignidade da mãe. Compreenda-se, então, inadmissível o aborto livre por nunca considerar como parte importante o filho que se encontra em gestação. Encontrem-se as excepções que se julguem necessárias (já existentes ou a acrescentar) para salvaguardar o direito à saúde (no seu sentido mais lato) da mãe.

Segundo ponto. O que considera um dado informativo, aqui só pode significar, mesmo, a sua opinião. E com esta opinião só concordo parcialmente. Prisão, de facto, não é solução alguma. Mas diga-se em abono da verdade, que até aqui nenhuma mulher saiu de um tribunal condenada a um dia sequer de prisão. Não me parece que algo que nunca sucedeu possa constituir tão grande ameaça. Descriminalização do aborto é algo defendido por muitos apoiantes do NÃO neste referendo e é já proposta apresentada e, desde já rejeitada pelo nosso primeiro ministro.

Terceiro ponto. Está errada. Como está já fundamentado em estudos realizados em países que liberalizaram o aborto há décadas atrás, a tendência é a de que o número de abortos aumente muito. E esta é uma tendência que nada se relaciona com a entrada estatística dos abortos clandestinos. Os números que sustentam estes estudos referem-se a um período temporal muito distante da data da liberalização. De referir que estes dados têm levado estes países a equacionar um recuo na legislação desta área. Não se diga, portanto, que a actual lei não impede qualquer aborto. A sua revogação, pelo contrário e seguramente, não poderá impedir um único.

Quarto ponto. De novo, estamos em desacordo. O aborto não é apenas uma questão de saúde pública. Implica uma arbitragem entre os direitos do filho e da mãe. Essa arbitragem não pode ser realizada por técnicos de saúde. Terá que ser dirimida em tribunal, por quem tem legitimidade e competência para o efectuar. Negar esta evidência é difícil. Pelo menos para quem reconhece o direito à vida do filho. E é aqui que reside a questão fulcral.

Reconhece o direito à VIDA do filho que se encontra em gestação?

Trate de me dar a sua opinião com mais alguns dos seus "dados informativos"...
 
Apoio, tal qual Frei Bento Domingues, a vontade plena pelo uso da consciência liberta.

E a consciência não é colectiva...

E essa mesma consciência é o bem maior, supremo, que realmente concretiza a pessoa, para lá do ser humano, da forma de vida e de outros imaginários entes sobrenaturais.

Quando alguma tipificação sócio-ideológica tenta restringir o pleno usofruto da consciência individual sobre a própria pessoa (e numa grávida, como constata o teólogo e filósofo Anselmo Borges, só existe uma pessoa: a mãe...) a interface do indefínivel totalitarismo kafkiano emerge até à concreticidade.

E a concreticidade aqui emergente é óbvia: aqueles que pretendem impôr a TODOS (e não somente a eles próprios!) um «modo de usar» da consciência.

A isso, NUNCA.

Ao referendo do dia 11 SIM.

Portanto, podemos concluir que não existe vida dentro de uma mulher grávida.
É isto?
Ficamos agradecidos ao filósofo por nos esclarecer.
 
Tem pouca humildade, o que é péssimo princípio. Quem usa de arrogância sem conhecimento arrisca o ridículo.

Passemos ao que chama dados informativos, mas que não passam de convicções suas, algumas muito pouco fundamentadas.

Primeiro ponto. Pretendia dizer, certamente, que interessa MINIMIZAR o aborto realizado sem condições. Muito bem. Eu vou mais além. Interessa minimizar o aborto. Ponto final. Não se resolve um mal da nossa sociedade, liberalizando-o. A dignidade e o direito à vida do filho terão que ser ponderados face à saúde e dignidade da mãe. Compreenda-se, então, inadmissível o aborto livre por nunca considerar como parte importante o filho que se encontra em gestação. Encontrem-se as excepções que se julguem necessárias (já existentes ou a acrescentar) para salvaguardar o direito à saúde (no seu sentido mais lato) da mãe.

Segundo ponto. O que considera um dado informativo, aqui só pode significar, mesmo, a sua opinião. E com esta opinião só concordo parcialmente. Prisão, de facto, não é solução alguma. Mas diga-se em abono da verdade, que até aqui nenhuma mulher saiu de um tribunal condenada a um dia sequer de prisão. Não me parece que algo que nunca sucedeu possa constituir tão grande ameaça. Descriminalização do aborto é algo defendido por muitos apoiantes do NÃO neste referendo e é já proposta apresentada e, desde já rejeitada pelo nosso primeiro ministro.

Terceiro ponto. Está errada. Como está já fundamentado em estudos realizados em países que liberalizaram o aborto há décadas atrás, a tendência é a de que o número de abortos aumente muito. E esta é uma tendência que nada se relaciona com a entrada estatística dos abortos clandestinos. Os números que sustentam estes estudos referem-se a um período temporal muito distante da data da liberalização. De referir que estes dados têm levado estes países a equacionar um recuo na legislação desta área. Não se diga, portanto, que a actual lei não impede qualquer aborto. A sua revogação, pelo contrário e seguramente, não poderá impedir um único.

Quarto ponto. De novo, estamos em desacordo. O aborto não é apenas uma questão de saúde pública. Implica uma arbitragem entre os direitos do filho e da mãe. Essa arbitragem não pode ser realizada por técnicos de saúde. Terá que ser dirimida em tribunal, por quem tem legitimidade e competência para o efectuar. Negar esta evidência é difícil. Pelo menos para quem reconhece o direito à vida do filho. E é aqui que reside a questão fulcral.

Reconhece o direito à VIDA do filho que se encontra em gestação?

Trate de me dar a sua opinião com mais alguns dos seus "dados informativos"...
Não não reconheço porque se eu morrer ele também morre.
 
Para mim a questão não é bem se existe ou não vida dentro da mulher.

A questão é que a mulher vai acabar com o feto, de uma forma ou de outra (e, fazendo o caminho certo, talvez possa ser aconselhada de uma forma diferente daquela que seria numa clinica manhosa qualquer).

Parece que os defensores do Não dizem que não acham mal a mulher ser despenalizada mas que acham mal ela ter o adequado apoio médico. E isto, eu não consigo mesmo perceber. Principalmente porque depois misturam a questão da vida... dizem que é crime, mas mesmo assim acham que o aborto deveria ser despenalizado.

Não percebo.
 
E isto, eu não consigo mesmo perceber. Principalmente porque depois misturam a questão da vida... dizem que é crime, mas mesmo assim acham que o aborto deveria ser despenalizado.
Não percebo.

Vamos, então, explicar.

Despenalizar é retirar qualquer penalização ao acto de abortar. Na prática, e por muito que custe ouvir a algumas pessoas, significa liberalizar.

Descriminalizar, que foi, já agora, o que defendi, significa que abortar deixará de ser considerado um crime, mas continuará a ser penalizado, legal e socialmente, embora com um mecanismo onde a prisão da mulher não será opção.

A pergunta deste referendo não permite a descriminalização do aborto. Quem votar SIM, votará pela liberalização. Foi apresentada a proposta de descriminalização do aborto, em caso de vitória do NÃO, a que o nosso primeiro ministro, pleno de sensibilidade pela causa das mulheres que abortam, na eventualidade do NÃO vencer, imediatamente rejeitou.
 
A questão não é a vida, Francisco, é a hierarquia da vida:

Pessoa>ser humano>vida humana>vida

E o problema é de quem, em pleno século XXI, pretende a equivalência entre tais conceitos e realidades diferenciadas.
 
A questão não é a vida, Francisco, é a hierarquia da vida:

Pessoa>ser humano>vida humana>vida

E o problema é de quem, em pleno século XXI, pretende a equivalência entre tais conceitos e realidades diferenciadas.

Mas Zen, mesmo que eu achasse que a vida da criança vale menos que a vida da mãe, como se justifica que essa vida possa ser eliminada assim, sem razão?
 
Vamos, então, explicar.

Despenalizar é retirar qualquer penalização ao acto de abortar. Na prática, e por muito que custe ouvir a algumas pessoas, significa liberalizar.

Descriminalizar, que foi, já agora, o que defendi, significa que abortar deixará de ser considerado um crime, mas continuará a ser penalizado, legal e socialmente, embora com um mecanismo onde a prisão da mulher não será opção.

A pergunta deste referendo não permite a descriminalização do aborto. Quem votar SIM, votará pela liberalização. Foi apresentada a proposta de descriminalização do aborto, em caso de vitória do NÃO, a que o nosso primeiro ministro, pleno de sensibilidade pela causa das mulheres que abortam, na eventualidade do NÃO vencer, imediatamente rejeitou.

Volto a não compreender. O Não diz que é pela vida e há vida dentro da mulher. Então, deve ser descriminalizado? Porque é que não defendem que a mulher seja uma assassina porque matou uma vida? Tornava os vossos argumentos mais coerentes...

E não sou a favor do aborto (será que alguém é?). Mas entre ele ser feito por mafiosos ou por médicos especializados que prestam um apoio psiquico diferente daquele que a mulher teria noutros locais... a escolha é dificil?
 
Última edição:
Criança?!

Embrião ou feto não são criança, Francisco.

Criança é aquele ou aquela que começa a sua criação após o nascimento.

E sem razão, Francisco?!

Achas que a vontade da mãe não se mune de razões suficientes para decidir um aborto?! Ou pensas que abortar é como ir ao cabeleireiro?!...
 
Volto a não compreender. O Não diz que é pela vida e há vida dentro da mulher. Então, deve ser descriminalizado? Porque é que não defendem que a mulher seja uma assassina porque matou uma vida? Tornava os vossos argumentos mais coerentes...

Diga antes assim: tornava-se mais simples a defesa do SIM se os apoiantes do NÃO considerassem as mulheres que abortam como assassinas. Demagogia da mais barata. Assim como o acto de matar pode ser qualificado de formas muito distintas, exista ou não dolo, negligência ou outras variáveis, das quais resultam crimes diferentes, também o aborto deve ser analisado à luz do contexto em que é realizado. Se assim não fosse, e se não fosse tido em conta o contexto que em ocorre, dificilmente se justificariam excepções como a do aborto sequência de uma violação.


E não sou a favor do aborto (será que alguém é?). Mas entre ele ser feito por mafiosos ou por médicos especializados que prestam um apoio psiquico diferente daquele que a mulher teria noutros locais... a escolha é dificil?

Antes de mais nada, não me parece razoável esperar um comportamento sexual responsável, repentino, por parte de quem até aqui nunca o demonstrou. Aqui serão incluídas as mulheres e os homens que se preparam para considerar o aborto como mais um método anticonceptivo, como se pode verificar através de muitas declarações que vamos lendo e ouvindo. A sua questão fica respondida.
Quanto ao apoio da mulher na realização de um aborto, permita-me que lhe pergunte porque razão desvaloriza um acto com o qual diz não concordar apenas para garantir melhores condições a quem o pratica? Deverei eu aceitar o término de uma vida apenas para que a pessoa responsável por essa morte o faça com mais asseio?
 
Criança?!

Embrião ou feto não são criança, Francisco.

Criança é aquele ou aquela que começa a sua criação após o nascimento.

E sem razão, Francisco?!

Achas que a vontade da mãe não se mune de razões suficientes para decidir um aborto?! Ou pensas que abortar é como ir ao cabeleireiro?!...

Zen, tens razão: embrião ou feto. Entusiasmei-me

Eu não digo as grávidas que decidem abortar ao abrigo da lei que este referendo aprove não tenham as suas razões.
O que eu digo é que não vão ser precisas razões. O que é muito diferente.
 
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