Veja lá se a informação é suficiente:
Razões para votar sim:
1) Porque é imperativo minimalizar o aborto que põe em risco a vida, a saúde e a dignidade da mulher;
2) Porque a prisão não é solução. As mulheres que, por vontade própria, interrompam a gravidez nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, não devem ser punidas, nem levadas a tribunal;
3) Porque a lei em vigor é ineficaz, não impede nenhuma interrupção voluntária da gravidez;
4) Porque o problema da interrupção voluntária da gravidez deve ser tratado pelo sistema de saúde e não pelos sistemas policial e judicial.
Considera estes dados informativos como ignorância minha, ou podemos partilhar ignorâncias?
Tem pouca humildade, o que é péssimo princípio. Quem usa de arrogância sem conhecimento arrisca o ridículo.
Passemos ao que chama dados informativos, mas que não passam de convicções suas, algumas muito pouco fundamentadas.
Primeiro ponto. Pretendia dizer, certamente, que interessa MINIMIZAR o aborto realizado sem condições. Muito bem. Eu vou mais além. Interessa minimizar o aborto. Ponto final. Não se resolve um mal da nossa sociedade, liberalizando-o. A dignidade e o direito à vida do filho terão que ser ponderados face à saúde e dignidade da mãe. Compreenda-se, então, inadmissível o aborto livre por nunca considerar como parte importante o filho que se encontra em gestação. Encontrem-se as excepções que se julguem necessárias (já existentes ou a acrescentar) para salvaguardar o direito à saúde (no seu sentido mais lato) da mãe.
Segundo ponto. O que considera um dado informativo, aqui só pode significar, mesmo, a sua opinião. E com esta opinião só concordo parcialmente. Prisão, de facto, não é solução alguma. Mas diga-se em abono da verdade, que até aqui nenhuma mulher saiu de um tribunal condenada a um dia sequer de prisão. Não me parece que algo que nunca sucedeu possa constituir tão grande ameaça. Descriminalização do aborto é algo defendido por muitos apoiantes do NÃO neste referendo e é já proposta apresentada e, desde já rejeitada pelo nosso primeiro ministro.
Terceiro ponto. Está errada. Como está já fundamentado em estudos realizados em países que liberalizaram o aborto há décadas atrás, a tendência é a de que o número de abortos aumente muito. E esta é uma tendência que nada se relaciona com a entrada estatística dos abortos clandestinos. Os números que sustentam estes estudos referem-se a um período temporal muito distante da data da liberalização. De referir que estes dados têm levado estes países a equacionar um recuo na legislação desta área. Não se diga, portanto, que a actual lei não impede qualquer aborto. A sua revogação, pelo contrário e seguramente, não poderá impedir um único.
Quarto ponto. De novo, estamos em desacordo. O aborto não é apenas uma questão de saúde pública. Implica uma arbitragem entre os direitos do filho e da mãe. Essa arbitragem não pode ser realizada por técnicos de saúde. Terá que ser dirimida em tribunal, por quem tem legitimidade e competência para o efectuar. Negar esta evidência é difícil. Pelo menos para quem reconhece o direito à vida do filho. E é aqui que reside a questão fulcral.
Reconhece o direito à VIDA do filho que se encontra em gestação?
Trate de me dar a sua opinião com mais alguns dos seus "dados informativos"...