cada vez vejo mais casas de 500.000-1.000.000€ em zonas "medianas" e que era impensavel custarem estes valores há uns anos atrás !
em santa cruz (torres vedras) moradias geminadas com cerca de +/- 200m2 e pequenos jardim de 70-200m2 ... a custarem entre 890.000€ e 1.190.000€ !!
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mas depois os dados oficiais de PT (de 2021) dizem isto:
2/3 tem casa paga e mais de 70% tem casa própria !
e pagam empréstimos mensais com valores muito baixos (200-400€)
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Muitas razões para isso acontecer...
Uma delas, a dificuldade que é construir hoje em dia, sendo a procura maior que a oferta.
Neste momento, contas assim por alto, a construir a 2000/3000€ M2, uma casa de 200m2 já se manda para os 500k €.
Não esquecer também a margem do estado, que sabendo do problema e sendo a habitação um bem essencial, continua a ser tributada a 23% de IVA (com exceção da reabilitação urbana em zonas ARU, onde a mão de obra passa a 6%).
Depois há que ver que se constrói muito pouco em Portugal comparativamente há alguns anos atrás, sendo que há zonas que estão piores que outras. E isto não tem só a ver com falta de mão de obra, trata-se também de dificuldades burocráticas, sendo que há zonas do país onde licenciar um projeto é um bico de obra.
Ainda há tempos vi um gráfico da distribuição de novos licenciamentos, e quanto mais para sul, a coisa piorava bastante, em números claramente abaixo do que seria necessário.
Chegamos a 2025 e o que vemos é uma espécie de congelamento do tempo. As novas gerações não têm dinheiro para adquirirem habitações novas, a menos que os familiares financiem. E quanto aos familiares, ou têm dinheiro para dar um início à vida privada dos filhos, ou então são malta remediada que vive em habitação social (quando ainda se construía) ou em casa própria comprada noutros tempos, já paga ou a pagar bastante pouco, e com um imóvel que fruto do panorama atual, até vale acima do que deveria.
Por isso contra todos os medos, Portugal passou a crise das taxas na Euribor sem grandes dramas, a maioria das dividas são relativamente baixas e já mais para o final do contrato, e a inflação nos rendimentos também ajudou a diluir esses aumentos.
Vamos ver o que o futuro nos reserva...na minha visão isto precisará de uma grande reviravolta em termos de modelo de habitação, tanto em termos de modelo de construção como nas questões mais sociais, comunitárias e familiares.
Vai ser preciso deixar as novas gerações crescerem para se perceber como querem viver, mas o mundo está a mudar, e o modelo do século XX vai deixar de funcionar para a maioria.