Espero que com a carta que ontem enviei à Opel possa ajudar à decisão.
É um bocado longa, mas transmite aquilo que o meu carro tem passado, e que é comum a muita gente.
Só para exemplificar, a minha irmã tem um C4 com 2 anos que ainda só foi à oficina para fazer uma revisão, para além de que o motor fica a milhas do 1.3 do Astra..... Espero que a carta não seja maçadora:
Exmo. Sr.(a)
Sou proprietário de um automóvel Opel Astra GTC 1.3 CDTI, adquirido novo em Dezembro de 2005, actualmente com cerca de 35000km.
Considero que possuo uma viatura muito apelativa esteticamente e com aparente qualidade de montagem dos materiais, mas infelizmente isto é insuficiente para fazer dela uma viatura com boa qualidade geral.
Comprei o veículo, conscientemente sabendo que qualquer automóvel novo poderá ter problemas, mas nunca que me faria visitar tantas vezes a oficina para reparações de maior ou menor gravidade. Tomei a decisão da compra, sabendo que não seria um carro muito veloz, mas a minha intenção não é andar em corridas. Todos os problemas foram relatados na oficina do concessionário Fernando Simão, em Guimarães.
Faço então uma descrição dos problemas que já surgiram neste período:
1- Inexplicavelmente o carro desligou-se sozinho por duas vezes, simplesmente o carro "apagou-se"!
Foi-me explicado que este problema acontece devido ao facto de o Opel vir programado de fábrica com baixa rotação ao relanti e que a solução foi aumentar essa velocidade para as 900rpm.
Perguntas: Num modelo já em comercialização há cerca de 9 meses quando o comprei (sem contar com o modelo de 5 portas), não deveria estar já resolvido? E se me acontecia isso a meio de um cruzamento?! Quem assumia a responsabilidade?
Resolvido? Até agora, pelo menos, ainda não voltou a acontecer.
2- Por volta dos 9000km, começaram-se a ouvir estalidos no volante
Justificação dada: Um rolamento do airbaig do volante ganha folga, pelo que foi apertado.
Resolvido? Voltou a acontecer novamente, voltou à oficina. Até agora não voltou a acontecer.
3- Era difícil o carro pegar à primeira e sem esforço.
Passado mais de um ano a reclamar, por custar muito o carro pegar, parecendo um automóvel com 30 anos sempre ouvindo a desculpa que era normal, acabaram por me substituir o motor de arranque que, pelos vistos, tinha pouca potência. Não tinham a peça em stock, tive de me deslocar, mais uma vez, à oficina. Faço a mesma pergunta que no ponto 1. Era preciso tanto tempo para resolver o problema?
Resolvido? Sim
4- Ar condicionado perdeu força e dá mau cheiro
Depois de no ano passado ter funcionado na perfeição e de ter passado o inverno sem funcionar, neste verão a primeira vez que liguei o ar condicionado pareceu-me que ele simplesmente tinha deixado de existir, tal foi o calor que passei. Mesmo na velocidade máxima, apenas se ouvia o ruído a ventilação era quase nula.
Actualmente continua a fazer muito barulho, mas considero que já trabalhou melhor. Preciso de manter o ar condicionado com a velocidade alta para que tenha algum efeito.
Na oficina trocaram o gás do ar condicionado, melhorou, mas já teve melhores dias sem eu ver resolução à vista! O cheiro que a ventilação produz com o ar condicionado ligado é mau. Ponto a mencionar numa próxima visita…
Resolvido? Melhorou, mas não muito.
5-Ocasionalmente, rodando a chave, apenas pisca a luz laranja de manutenção. Não há sinal de vida do motor.
Primeira visita à oficina (por este motivo), explicaram-me que o problema estaria na comunicação entre a chave e o imobilizador. Solução dada: substituíram a chave.
Na semana seguinte o problema voltou a acontecer. Oficina novamente, novo diagnóstico. Mudança de placa CIM. Não têm em stock, pelo que estou à espera desde o dia 26 de Julho, para ir novamente à oficina para efectuarem a reparação.
Resolvido? Não.
6- Não buzina com luzes ligadas
Na Opel dizem que o automóvel é assim. Difícil então compreender porque é que às vezes funciona e outras não, aleatoriamente. Se se baixar o nível de luz do tablier passa a funcionar. A solução que me apresentam: baixar o nível de luz do tablier! Isto é solução ou é incapacidade de resolver? Se eu tiver um acidente por não conseguir buzinar, quem se responsabiliza?
Resolvido? Não
7- Computador de Bordo (CB) nada fiável.
Por curiosidade, efectuei vários apontamentos às medições do CB. Tinha consciência que os valores que constam são apenas uma referência, que não seriam muito precisos. Em três abastecimentos verifiquei que a diferença entre os litros consumidos dados pelo CB e os litros consumidos reais se situam entre os 3 e os 5 litros, por cada 45 litros! Basta fazer as contas para se verificar que tenho um erro entre os 5 e os 10%, o que me dá um consumo com erro de cerca de 0.5l/100km! Na Opel dizem-me que o CB não pode servir como referência, até aí eu já tinha chegado, mas então eu pergunto: para que é que ele serve??
Resolvido? Não.
8- Motor muito fraco a baixa rotação
Esta questão não sei se será característica ou problema. Inicialmente o carro simplesmente não respondia antes das 1800 rpm. Em subidas, por diversas vezes não consigo meter a segunda velocidade, pois este não aguenta sem se ir abaixo. Considero inadmissível que isto aconteça num veículo deste preço e desta gama. A condução torna-se muito desconfortável em cidade, tendo de recorrer a toda a hora à caixa de velocidades. Esta situação leva a que o consumo médio de combustível seja muito superior à média anunciada pela marca. Posso dividir os meus percursos da seguinte forma: 60% extra urbano, 30% urbano, 10% auto-estrada.
Nota: Numa das visitas à oficina, notei que existiu uma evolução nas prestações e que o automóvel responde melhor a partir das 1500rpm, mas continua a ser uma resposta insuficiente para a potência que apresenta, pois há veículos da mesma gama, com a mesma ou potência semelhante, com muito melhores prestações. Infelizmente essa melhoria fez com que o consumo de combustível fosse ainda maior: nos últimos 4000km, o meu consumo anda à volta dos 6.6 l/100km, muito longe dos 4.8l/100km anunciados pela marca.
Resolvido? Não.
Poderia relatar ainda outros problemas menores, como ruídos parasitas, puxador da porta perro, porta da bagageira que por vezes não fecha bem, mas a lista já vai demasiado longa.
Podem pensar com isto que não gosto do carro. Diria que estão errados. Gosto do carro, mas estou muito insatisfeito e desiludido com o mesmo. Estou cansado do trabalho e do tempo que tenho perdido a levá-lo à oficina, estou cansado de incomodar outras pessoas (que me vão levar ou buscar à Opel), estou cansado de estar sem carro para andar.
Agora deparo-me com outro dilema, o final da garantia dado pela marca aproxima-se do fim. Continuo com problemas por resolver, continuo sem a certeza que eles irão estar resolvidos em tempo útil, continuo sem garantias que vou ter um carro minimamente fiável após este período. Os problemas que a viatura tem são um incentivo a que se faça uma extensão da garantia? Gostava que tomassem esse aspecto em consideração e que me recomendassem se devo ou não fazê-lo.
Considero que estes problemas não abonam nada em favor do bom nome da marca, noto que a insatisfação não é só minha, pois tenho conhecimento de vários casos semelhantes, o que me foi confirmado na oficina.
Pretendia que a Opel Portugal tivesse conhecimento dos meus problemas e que, acima de tudo, tivesse o meu carro completamente operacional em todos os pontos mencionados. Paguei caro, tenho o direito de exigir um produto de qualidade, não um produto que tenha de andar constantemente a ser remendado. Comprei um carro novo, com medo de problemas de má utilização que um carro usado pode ter. Infelizmente tenho problemas que chegue e paguei mais por isso.
Aguardo um comentário de vossa parte e de uma tomada de posição quanto a isso.
Cumprimentos